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A reinvenção de Deborah Secco

Atriz segue mesmo ‘roteiro’ de Matthew McConaughey, que trocou sucessão de papéis de galã em comédias românticas por personagens densos.

23 de novembro - 2014 às 10h03
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Veja

Deborah Secco não é só um rostinho bonito e um corpo esculpido por horas (e horas) de malhação. É o que quer provar a atriz carioca, prestes a completar 35 anos, idade que alcança na próxima quarta-feira. E Deborah vai fazê-lo já no dia seguinte ao seu aniversário. É quando entra em circuito nacional Boa Sorte, filme que marca não apenas a ótima estreia na direção de Carolina Jabor, filha de Arnaldo (de filmes como o horrendo Eu te Amo), mas também a planejada virada na carreira da atriz. “O meu começo foi difícil, mas em certo momento atuar ficou fácil e eu passei a dirigir no piloto automático”, diz Deborah. “A zona de conforto, no entanto, não é o meu lugar. E Boa Sorte é o primeiro passo para uma nova estrada.”

Na trama baseada no conto Frontal com Fanta, do livro Tarja Preta (Objetiva), de Jorge Furtado, Deborah vive uma mulher de 30 anos que é soropositiva e usuária de diversas drogas. Em uma clínica de recuperação, Judite conhece João (João Pedro Zappa), um adolescente perturbado que acredita ficar invisível sempre que toma remédio para ansiedade, o Frontal do titulo do conto, com refrigerante. O casal improvável desenvolve o raro tipo de amor que salva vidas, mesmo com a morte à espreita. E sem cair no piegas. Tanto que saiu aplaudido do Festival de Paulínia, onde ganhou o prêmio do público, e da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, por onde acaba de passar. “É melhor que A Culpa É das Estrelas”, brinca Deborah sobre a comparação com o drama adaptado da obra de John Green.

Longa sobre fins e recomeços, qualquer semelhança entre Boa Sorte e os novos caminhos de Deborah não é mera coincidência. “Não sei se eu vou para um lugar melhor ou pior, mas eu vou arriscar. Quero sair de casa com o coração disparado, perder noites de sono. Quero voltar a sentir a palpitação que eu tinha quando comecei a trabalhar, que era o que me movia na profissão”, diz a atriz. Deborah Secco se apaixonou pelo conto e disse ao autor que gostaria de fazer a personagem se um dia ele virasse filme. Anos depois, Carolina Jabor teve a bênção do escritor para adaptar a história. Quando Deborah soube, perseguiu a diretora, que, relutante — ela não queria uma atriz tão mainstream —, permitiu que ela fizesse um teste. “Quando fiz a primeira leitura com a Deborah, fiquei impressionada com a sua força e como havia uma vibração nela, uma energia forte de que a personagem precisava. Ela leu o texto e eu saí rindo. Liguei para o Jorge e falei: ‘É ela, é a Deborah, ela é a Judite’”, conta Carolina.

 


Contramão

Quem está acostumado a ver Deborah como a “gostosa de novela”, rótulo que aderiu a ela depois de papéis como as periguetes Darlene, de Celebridade (2003), e Natalie Lamour, de Insensato Coração (2011), pode se chocar ao ver Boa Sorte. No filme, a atriz aparece onze quilos mais magra e com pouca maquiagem. A aparência serve como complemento à sua excelente atuação, assim como aconteceu com o americano Matthew McConaughey – outro que deixou os músculos murcharem para viver um soropositivo – em Clube de Compras Dallas, filme que lhe rendeu o Oscar este ano.

Por coincidência, Deborah e McConaughey vêm trabalhando em dar novo rumo à carreira desde 2011, ele com o thriller policial O Poder e a Lei, de Brad Furman, e ela com Bruna Surfistinha, drama de Marcus Baldini que lhe rendeu o troféu de melhor atriz no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Mas as transformações de ambos só saltaram aos olhos anos depois. No caso dele, com o já citado Clube de Compras, lançado em 2013 nos Estados Unidos. No dela, é Boa Sorte que confirma e consolida a guinada. “A Bruna foi um grito de virada”, diz Deborah, como quem identifica o momento em que a vida começou a mudar.

Disposição para levar a transformação adiante não falta. Terminadas as filmagens, Deborah recuperou o peso normal, de 55 quilos distribuídos em 1,64 metro, para logo descobrir que outro projeto que faria, o longa O Troco, tinha conseguido verba para iniciar as filmagens. Para o papel de Laura, uma ex-apresentadora infantil, ela precisou ganhar catorze quilos em pouco mais de um mês. Na época, ela fez uma participação no Vídeo Show e se tornou assunto na internet. No Twitter, ela entrou para os Trending Topics, a lista dos assuntos mais comentados da rede, com as palavras “Deborah Gorda”. “As pessoas me olhavam como se eu fosse uma aberração da natureza. O Brasil é um país muito apegado à estética e pouco ligado em arte. Temos que mudar isso. Dar mais valor à arte que à aparência”, reclama a atriz, que quase viu a carreira condenada por personagens que viviam justamente da imagem exterior.

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