bannerfull

Dezessete de outubro de 2018: o dia que mudou nossas vidas!

US + THEM em Salvador. Presente, passado e futuro entrelaçados ao som do Pink Floyd.

07 de dezembro - 2017 às 18h34
Dezessete-de-outubro-de-2018-o-dia-que-mudou-nossas-vidas

Fotos: Divulgação / Arquivo pessoal

Por Daniel Pinto

Não faço a menor ideia de quando escutei Pink Floyd pela primeira vez. Mas, fui capturado pelo som na segunda metade da década de 1990, ainda na pré-adolescência. Sou péssimo com datas e números. Sempre fui. Foi na escola que consegui uma cópia do The Dark Side of the Moon. Lembro da sensação de ouvir o disco completo pela primeira vez e de como surgiu em mim a percepção de que estava diante de algo maior, belo, sombrio, esplêndido, um universo a ser desvendado. Nessa época a internet que se tem hoje era apenas um embrião. Pra mim, da periferia de Salvador, era como se não existisse. A gente tinha que garimpar conhecimento em lojas especializadas, revistas, catálogos, sebos, coleções. A música fluía em quatro plataformas: LP, K7, VHS, CD.

Comprei, com dificuldade, o Wish You Were Here num bazar de usados. CD e encarte impecáveis! Vibrei de emoção! A partir deste disco, que foi copiado para todos os amigos, eu mergulhei profundo e comecei a estudar a história da banda e a biografia dos integrantes. Ao ler a tradução das letras, foi preciso reconstruir o horizonte histórico dos anos 60, 70, 80; foi preciso refletir sobre quem sou e sobre a tragicidade da existência humana. Já não era mais o mesmo: passei a ver o mundo através de um prisma translúcido e colorido. Em 98, esse ano foi marcante, tive o primeiro contato com o P.U.L.S.E. A professora de Filosofia nos emprestou, a mim e a meus amigos de escola, uma fita VHS que assistimos todos juntos num velho sobrado nos Barris. Durante as mais de duas horas daquele espetáculo visual, pouco nos falamos. Foi, realmente, uma viagem lisérgica e transcendental!
 


 

De lá pra cá tenho consumido tudo sobre o Pink Floyd e sobre Roger Waters e David Gilmour, dois dos maiores e mais incríveis artistas do planeta. Em 2005, eu morava num "buraco" nos arredores da Fonte Nova. Minha vida estava de ponta-cabeça: cheio de problemas, carregado de desesperança e impelido por pensamentos ruins. Por isso, não sei como explicar como tive a chance de ver (deslumbrado) ao vivo pela TV a formação clássica da banda reunida no Live 8, após mais de 20 anos afastados por um "abismo". Aquilo me ajudou a não mais carregar o peso do rancor e a olhar pra frente (pela primeira vez) sem medo, com altivez e clareza.

No final de 2015, tive a felicidade de assistir ao show da turnê mundial Rattle That Lock, em São Paulo, junto com amigos, personagens desta história. Nunca tinha vivido uma expectativa tão grande: é algo que não se assimila de uma só vez. Na quarta canção, desabei em lágrimas. “So, so you think you can tell/ Heaven from hell/ Blue skies from pain/ Can you tell a green field/ From a cold steel rail?”. Chorei muitas vezes ao longo daquela noite memorável no Allianz Parque. Nunca escrevi sobre essa experiência. Ainda não sei como fazê-lo. Não há o que dizer quando se tem contato com o sublime... Como descrever a essência do que é magistral? Assim, mesmo sem os recursos de poeta, voltei homem renascido para Irecê (onde moro atualmente).
 


Agora, eis a confirmação de que Roger Waters vai se apresentar em Salvador, na Arena Fonte Nova. Fiquei muito emocionado ao ler a notícia. Um gatilho foi acionado no meu cérebro e uma onda de euforia percorreu todo o meu corpo. Gritei de excitação! Passei o dia inteiro confortavelmente entorpecido nesse sentimento. Como animação num bloco de papel, vejo entrelaçados presente, passado e futuro. Assim como eu, tenho certeza de que milhares de pessoas, também foram afetadas pela publicação oficial com a data do show US + THEM na capital baiana. 

Mesmo sendo pequeno demais para compreender tudo o que está em jogo, meus instintos me dizem que, agora, um ciclo se fecha. A única certeza que se pode ter a partir de então: 17 de outubro de 2018, o dia que já mudou nossas vidas! “And everything under the sun is in tune/ But the sun is eclipsed by the mooooooooooon”.

Galeria de fotos

Comentários

netools comunicação digital
Sertão Baiano - Todos os direitos reservados © - 2017