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Elmo Vaz afirma que Irecê tem apenas 6% de cobertura de esgoto

Prefeito fala sobre herança maldita, nepotismo, lixo, saneamento, UPA, dentre outros assuntos. Se ligue!

02 de outubro - 2017 às 09h09
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Por Luiz Fernando Lima

Elmo Vaz (PSB) assumiu a prefeitura de Irecê em janeiro deste ano. Sendo alguém fora da órbita política eleitoral vive seu primeiro mandato eletivo na cidade. Chegou à prefeitura com o apoio do ex-governador da Bahia Jaques Wagner que foi um dos fiadores de sua indicação para presidente a Codevasf em 2012. Neste bate papo com a reportagem do BNews, Elmo Vaz traz um pouco da sua história e os principais desafios que tem enfrentado à frente da gestão na cidade que já foi conhecida como “A Cidade do Feijão”. Confira!

Bnews: O senhor vem de diversas experiências em empresas públicas, no entanto, não é um político de carreira. Poderia ser considerado um ‘outsider’ de esquerda? 

Elmo Vaz: Primeiro, eu não sou nem nunca serei nem de esquerda e nem de direita. Estas classificações estão, em minha opinião, ultrapassadas. Eu sou de Ibititá, cidade a 30Km de Irecê, vim morar em Irecê com 9 anos e estudei aqui em escola pública, cresci e só retornei depois de formado. Sou engenheiro civil, me formei na Ufba. Por conta da minha relação de vida quis trazer um pouco da minha contribuição profissional de tudo que acumulei de conhecimento ao longo destes anos e fui convidado por amigos e lideranças e resolvi aceitar o desafio.

Uma das questões levantadas pelo senhor com preponderantes para se candidatar foi a aceitação de sua esposa de vir morar em Irecê... 

Sim, se criticava muito e ainda se critica o fato de prefeitos não morarem nas respectivas cidades. Eu sabia que não poderia chegar aqui com um discurso e depois de assumir fazer diferente. Não poderia nem criticar quem não fez isso se eu não tivesse a certeza de que iria morar aqui. Eu brinquei, com o senador Otto (Alencar) quando ele me convidou a primeira vez para ser candidato, que não estava preparado ainda. Não estava porque precisa organizar a vida para morar aqui. Brinquei que minha mulher não havia me liberado. Foi um detalhe importante para decisão.

Como o senhor pegou a cidade quando assumiu? 

Eu sei que falar de herança maldita é algo sempre controverso. Eu ganhei as eleições e o que continuo dizendo é que o que o ex-prefeito vendeu para mim e para as outras pessoas não é a realidade. Tanto é que perdeu as eleições. Uma sociedade democrática de direito derrota aquilo que ela considera que não foi bem. Eu digo que se eu for candidato à reeleição daqui a três anos as pessoas vão julgar se aquilo que me comprometi a fazer foi feito ou não. O que ocorreu na verdade é que a Irecê que eu encontrei há oito meses estava com a periferia da cidade e os bairros mais populares abandonados do ponto de vista do saneamento, pavimentação, de iluminação, de buraqueira, enfim, de todo tipo de descaso que a população entende que não está bom. A Saúde, pessoas que reclamavam esperar dois ou três anos para conseguir fazer uma cirurgia eletiva. A gestão anterior ganhou a eleição prometendo colocar um hospital municipal para funcionar em um dia e foi abrir em junho ou julho do último ano e mesmo assim teve que fechar porque estava com problema de energia. Até as eleições ele deve ter feito no máximo 40 cirurgias em quatro anos. De forma que tudo aquilo que se vendia, de que Irecê era a oitava maravilha, eu sabia e muita gente sabia que não era. A gestão anterior fez três contornos que são as entradas da cidade e eu até dizia que em contorno não mora gente. Iluminou, gramou, fez uma pavimentação no centro da cidade, que era um recapeamento de uma avenida pela metade que só foi terminar no final da gestão. Esta foi a Irecê que eu encontrei. Uma Irecê com esgoto a céu aberto, muito lixo, problema de iluminação e outros problemas que população identifica e que ainda não resolvemos porque eu não posso achar que tudo aquilo que eu critiquei e condenei vou resolver em oito meses. Isso é humanamente impossível. Tenho quatro anos para fazer isso.

Um dos problemas chegados à nossa reportagem é o da UPA. O senhor tem responsabilidade sobre ele?

A UPA é um pronto atendimento. Não é um hospital e, portanto, o papel da UPA é dar os primeiros socorros para aquelas pessoas que chegam lá. Irecê tem um problema por ser uma cidade polo, a metrópole da região como a gente costuma dizer, essa população naturalmente vai buscar socorro na UPA. Eu não estou dizendo aqui e não sou leviano de dizer que os prefeitos colegas não estão cumprindo o seu papel, mas os relatos que eu tenho e a quantidade de pessoas que buscam atendimento na UPA é muito superior a aquilo que seria previsto. Esta demanda, infelizmente, existe e a UPA por lei não pode negar atendimento a ninguém. É uma instituição de portas abertas e a constatação é de que a UPA tem sido sobrecarregada pela facilidade que tem de dar atendimento a todos da região e que porque as pessoas sabem que lá tem profissionais 24hs por dia, todos os dias da semana. A UPA tem 21 médicos, um número expressivos de enfermeiros, e o atendimento da UPA sempre foi de qualidade e dentro daquilo que se espera. O que todos desejam é que a UPA consiga diagnosticar qualquer problema em tempo, mas nem sempre isso acontece. O que eu sei é que a UPA de Irecê não passa por dificuldades diferentes das de qualquer lugar do país. Minha obrigação estou cumprindo que é dotar a UPA de médicos, são dois médicos por plantão, durante as 24 horas e todos os dias do mês. A gente recebe 100 mil reais por mês e está gastando 300 mil reais. Encontrei a UPA com problemas de oxigênio, de equipamento, de raio-x, e tudo isso a gente vem resolvendo. Agora, se alguém, por ventura, procurou a UPA e não teve um diagnóstico a tempo ou como gostaria e ocorreu algum tipo de problema deve procurar o Ministério Público ou o Cremeb. Acredito que nem um de nós que não somos médicos podemos fazer julgamento se o médico errou ou afins. A minha obrigação constitucional eu tenho feito. A constituição me obriga a aplicar no mínimo 15% da receita corrente liquida em Saúde e eu estou aplicando 18%, isso contabilizando até o mês de junho.

O lixo em Irecê também é um problema sério. A coleta vem funcionando normalmente em Irecê?

Eu fui eleito presidente do consórcio de desenvolvimento sustentável da região e o consórcio tem como uma das suas funções resolver o problema do aterro sanitário de Irecê. O aterro já está construído. Eu ajudei a concluir esta obra quando era presidente da Codevasf. Este aterro foi concluído ainda na gestão de Zé das Virgens (ex-prefeito de Irecê) e por questões técnicas e até jurídicas o ex-prefeito (Luizinho Sobral) não quis levar adiante este objetivo que era fazer o aterro funcionar. Faz parte do consórcio que oito municípios poderão usar o aterro de Irecê. Um aterro construído pela Codesvasf com recursos federais, e eu fiz o compromisso de que em seis meses faria o aterro funcionar, já se passaram os seis meses e eu não fiz por conta da licença de operação que depende do Inema e que já está praticamente resolvida, depende de três ou quatro ajustes técnicos, a licitação de operação será feita pelo consórcio e esse processo envolve não só a operação, mas também um processo de educação ambiental, de coleta seletiva que envolverá cooperativa de catadores, processo seletivo, construção de galpão para triagem dos resíduos sólidos e todas as providências que só vão se consolidar em torno de três ou quatro anos, mas é preciso começar.

Como está a coleta em Irecê? Recebemos queixas de que não estava funcionando de forma adequada.

A coleta em Irecê é o melhor serviço que nós temos. Hoje temos uma empresa local, pela primeira vez na história de Irecê, temos uma empresa daqui habilitada que ganha a licitação com o preço de cerca de 200 mil reais menor do que o que se praticava. Foi contratada para fazer a varrição, coleta e transporte até o lixão existente que é o que a gente vai encerrar. Este serviço está sendo muito elogiado. Nós estamos atacando pesado no trabalho de retirada de entulho, limpeza dos terrenos e mutirões nos povoados. Evidentemente, que a gente precisa e já iniciamos um trabalho de fiscalização para coibir o lançamento de resíduos de construção, de entulho em portas e a prefeitura já está começando a fazer advertência. Porque primeiro é o processo de educação. Faremos uma campanha para que as pessoas entendam que Irecê pode ser uma das cidades mais limpas da Bahia. Apesar de a gente ter uma quantidade muito grande de ruas sem pavimentação o que dificulta em muito esta limpeza.

A pavimentação falta em muitos lugares e a qualidade de asfalto em todos outros está ruim, como o senhor pretende resolver estes problemas? 

Nós já aplicamos 300 toneladas de massa asfáltica seja na recuperação de asfalto seja nas ruas de paralelepípedo. Irecê é uma cidade que tem um déficit de 30% de ruas e avenidas sem pavimentação. Irecê tem cerca de 1050 ruas e temos ai cerca de 350 ruas no barro, na terra. Portanto, o recurso necessário para resolver seria entre 50 milhões e 60 milhões de reais para resolvermos todo este déficit e aqui não estou falando nem dos povoados e dos distritos. Precisaríamos de um financiamento da Desenbahia. Irecê tem a capacidade de tomar algo em torno de 10 milhões de reais e conseguiríamos resolver pelo menos 1/3 deste problema. Nós estamos resgatando convênios que estavam praticamente perdidos e correndo atrás de emendas para resolver o restante. Estou preparando a licitação para fazer em janeiro uma pavimentação, não no nível de escala, mas pelo menos duas ruas por mês até porque mais que isso não será possível com os recursos que dispomos.

Como é que está o esgotamento sanitário em Irecê?

Irecê é uma cidade de quase 80 mil habitantes com uma cobertura de esgoto de apenas 6%. Nós só temos esgotamento em poucos bairros, conjuntos habitacionais feitos pelo governo federal e duas pequenas áreas. Na Codevasf ajudei a elaborar um projeto que já está aprovado no Ministério das Cidades e tenho buscado ajuda de deputados e senadores para que a gente possa fazer com que a Embasa execute este projeto. São recursos da ordem de 80 milhões de reais e daria para resolver 100% do esgoto de Irecê. O que estamos fazendo neste momento é de afastamento e da retirada de esgoto das portas das pessoas. Em parceria com a Embasa nós já aplicamos tubulação para retirada de esgoto da porta das pessoas. Eu não estou tratando esgoto, até porque este não é um papel da prefeitura, nós estamos canalizando e tirando o esgoto da porta das pessoas. Este esgoto já existia. 
 


Como é que resolve este problema?

É preciso que este projeto, que custa 80 milhões de reais, seja realizado. Vai ter uma estação de tratamento que já tem lugar destinado e tudo. Depende apenas da liberação dos recursos que viria via ministério das Cidades. Outra obra que eu fiz, havia prometido também terminar em seis meses e esta nós fizemos, foi a retirada do esgoto no bairro do Shampoo Charme. Era uma coisa terrível. Impendia que população ficasse em suas casas, mau cheiro e mosquitos, fizemos a canalização toda deste esgoto. Ainda precisa ser feita a parte de urbanização, com pavimentação, em cima do canal podemos fazer um calçadão e a população reconhece que esta foi uma obra histórica e que precisava ser feita.


Prefeito, nós recebemos recentemente denúncias de que haveria nepotismo na sua gestão. O Ministério Público, inclusive, estaria investigando isso. Como o senhor responde a isso?

O conceito de nepotismo é o que está na lei. Eu tenho um sobrinho que é engenheiro civil, já tinha experiência em administração pública e que é o meu chefe de gabinete, sendo, portanto, um cargo político. Tenho um irmão que é secretário executivo do consórcio sustentável. Que não foi, inclusive, apenas nomeado por mim. Ele foi aprovado e eleito pelo conjunto de prefeitos que entendeu que a sua experiência, ele é engenheiro agrônomo e foi gerente da EBDA por sete anos, além de secretário de meio ambiente e de agricultura nos municípios de Lapão e Canarana, e se o ministério público julgar que o conjunto de prefeitos não teria autoridade para nomeá-lo ai é uma decisão que só a Justiça pode definir. O que a Justiça definir eu irei acatar. No mais, tinha um primo meu que era secretário da Administração que acabou saindo, não por nepotismo, mas porque é professor do estado e houve uma incompatibilidade. O professor só pode ser cedido para secretaria de Educação. Acusam também que tem parentes de vereadores, vamos avaliar tecnicamente a posição de cada um e se aquela pessoa que está ocupando aquele espaço tem ou não competência para estar naquele local e aquilo que a justiça sentenciar eu vou acatar. Se eu for relatar o que aconteceu na gestão passada terei inúmeros casos de parentes de vereadores, secretários e do próprio prefeito que também estavam na máquina. Agora, não é diferente do que se fazia antes do ponto de vista de você colocar algumas pessoas em algumas posições e que por coincidência tenham alguma relação de parentesco, mas estou muito tranquilo em relação a isso porque aquilo que Justiça entender que é nepotismo a gente acata sem nenhuma dificuldade.

O senhor falou que é necessário dar um jeito no presídio daqui. Em Irecê as delegacias têm espaço para 30 presos e tem 130 detidos. Como está a situação? 

O presídio está pronto há cerca de dois anos. A gente gostaria de construir mais escolas, unidades de saúde e áreas sociais, mas, infelizmente é um mal que a gente precisa. Eu ajudei a construir este presídio quando fui diretor geral da Sucab, faz muitos anos (seis anos), e o presídio está pronto, o governo do estado tem um modelo de cogestão com a iniciativa privada e a informação que eu tenho é que já foram duas licitações fracassadas e que o governo precisa tomar uma providência. A delegacia de Irecê só cabe 30 presos e hoje tem 130 é um barril de pólvora com fugas constantes. A polícia civil deveria estar trabalhando como polícia investigativa e está se obrigando a cuidar de presos e isso compromete o sistema de segurança pública. Não é só Irecê, como as cidades do entorno, a gente pede para que o governo tome as providências e que faça funcionar o mais rápido possível.

Irecê está em estado de emergência? 

O decreto foi feito há algumas semanas, principalmente por conta da estiagem prolongada, os agricultores já vinham fazendo um apelo para que pudéssemos fazer porque eles têm tido dificuldades para contrair empréstimo, principalmente no Banco do Nordeste, por Irecê não ter decretado estado de emergência. Apesar de sermos uma região agrícola e o território de Irecê ser relativamente pequeno nós temos uma parcela significativa de produtores da agricultura familiar que dependem deste instrumento que é o decreto de emergência não só municipal, mas também estadual e federal. Vamos correr atrás para que estes agricultores possam acessar o crédito. Do ponto de vista de carro pipa e outros socorros, Irecê não tem dificuldades.

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