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Em Irecê, colégios estaduais estão de “portas fechadas”

Motivo: funcionários com salários atrasados, insegurança e falta de merenda escolar

11 de março - 2014 às 13h06
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Fotos: Beavis / Sertão Baiano

Daniel Pinto

Enquanto em Salvador, o ano letivo na rede estadual teve início com aula inaugural apresentada por Jorge Portugal e transmitida ao vivo pela TVE, em Irecê, no norte do Estado, a comunidade escolar se deparou com uma paralisação generalizada, que envolve vigilantes, porteiros, merendeiras, inspetores e o pessoal de Serviços Gerais e Secretaria. O motivo: três meses de salários atrasados dos terceirizados e contratados via Prestação Temporária de Serviço (PST). No Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, que atende mais de 1.200 alunos, 18 funcionários estão de “braços cruzados”. “De acordo com o cronograma oficial, as aulas deveriam começar nesta segunda (10). Mas, infelizmente, a paralisação foi deflagrada. Esperamos que a Secretaria de Educação resolva essa situação o mais rápido possível. Situações como essas comprometem todo o processo”, destacou Antônio Conceição Jesus, diretor do Colégio Modelo desde 2011.

A possibilidade de greve já havia sido informada à DIREC Irecê e à própria Secretaria de Educação. Entretanto, nenhuma medida administrativa foi tomada para garantir o início das aulas na cidade. “Fizemos as notificações, alertamos para os riscos, mas não tivemos respostas. A nossa equipe está apreensiva porque temos compromisso com a educação de qualidade”, completou Antônio Conceição. A situação é ainda mais grave no Colégio Polivalente, que atende 750 alunos nos três turnos. Nesta segunda (10), após reunião com a comunidade escolar, a Direção da unidade emitiu documento listando uma série de fatores que impediram o início das aulas.


À mercê dos criminosos

Entre os principais motivos, destaque para a paralisação da equipe de apoio, falta de merenda escolar, inexistência de vigilantes e ausência de recursos para execução de pequenos reparos e aquisição de material básico. Segundo a coordenadora Edla Fernandes, o problema vai impedir o planejamento concebido durante a Jornada Pedagógica 2014. Quanto à merenda escolar, o diretor geral do Polivalente, Ulisses Smaneotto, afirma que, este ano, ainda não recebeu nem um biscoito por parte do Governo do Estado. “Antes, o Colégio fazia a cotação e a Secretaria fazia a transferência do dinheiro. Nunca tivemos problemas. Agora, mudaram o procedimento e vão comprar de outra forma. Já fizemos o credenciamento, mas ainda estamos com a dispensa vazia”.

Smaneotto também alega que o Polivalente sofre com a falta de segurança. “Estou no cargo há 7 anos e, durante este período, nunca tivemos vigilantes. No ano passado, inclusive, a nossa sala de informática foi roubada duas vezes. Cerraram as grandes da janela, danificaram equipamentos e levaram diversos computadores”. A situação é confirmada pelo professor Júnior Paiva, que trabalha no Polivalente e também no Luiz Viana Filho, dois colégios localizados na mesma rua. “Já presenciamos várias situações de violência. Já houve tentativa de homicídio na saída da escola. Alunos foram roubados. O patrimônio público está sendo destruído, enquanto estamos à mercê dos criminosos”. De acordo com a mesma fonte, os professores não estão com salários atrasados, mas são solidários aos colegas de trabalho. “É uma solidariedade forçada. As maiores vítimas são os alunos”, sentenciou.

Em Irecê, existem quatro unidades de ensino da rede estadual: os Colégios Luís Eduardo, Luiz Viana, Polivalente e o Centro Territorial de Educação Profissional de Irecê (CETEP). Todos estão de portas fechadas.

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