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Fogo na Chapada Diamantina compromete vazão de rios

Situação pode comprometer o abastecimento de diversas localidades, inclusive, a capital. Se ligue!

25 de novembro - 2015 às 11h04
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A Tarde / Foto: Sertão Baiano

Os incêndios que atingem o Parque Nacional da Chapada Diamantina vão comprometer a vazão dos rios que possuem nascentes na região, informou, nesta terça-feira, 24, a Brigada de Resgate Ambiental de Lençóis (Bral). Segundo a Bral, a biodiversidade e recursos hídricos da Chapada Diamantina abarcam as nascentes dos rios Paraguaçu, de Contas, Paramirim, Salitre e Jacaré e alguns tributários do Rio São Francisco, um dos mais importantes do país. O que significa nascentes que totalizam 80% de toda a água do Estado da Bahia. O abastecimento de Salvador depende dessas águas. "Muitas turfas estão sendo queimadas, um tipo de solo orgânico formado em valas. Elas funcionam como esponjas, liberando a água gradualmente, impedindo que os rios fiquem secos no período de estiagem e que transbordem durante as chuvas", afirma o engenheiro florestal da Bral, Diego Serrano. A região abarca as nascentes de alguns dos rios mais importantes do país.

"Centenas de nascentes de água potável também foram queimadas e muita mata ciliar se perdeu. A quantidade de água que evaporou durante o incêndio é incalculável", acrescenta o engenheiro ambiental membro da Bral, Rodrigo Valle. Além disso, solos queimados ficam desprotegidos e são arrastados pela enxurrada para os rios, assoreando-os, afetando, inclusive, a qualidade da água. Segundo a Bral, apesar do fogo estar controlado nesta terça-feira, 24, ainda há focos no Barro Branco e no Capão. Mais de nove mil hectares já foram atingidos apenas dentro dos limites da unidade de conservação.

Vegetação

"Em 24 horas de fogo, uma área com milhares de plantas, insetos e animais, transforma-se em um ambiente estéril, demorando dezenas de anos para se recuperar", explica Rodrigo Valle. A frequência, praticamente anual de focos de incêndio, como vem ocorrendo no Parque, não permite a recuperação da vegetação e que as árvores cheguem à fase adulta. As áreas com vegetação têm capacidade muito superior na produção de água, ou seja, na captação, no armazenamento e na distribuição, enquanto nas áreas queimadas, a água escoa rapidamente. Alguns dias após a chuva, os rios e nascentes já estão secos, pois a bacia não tem mais capacidade para retenção.

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