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Guerra de espadas está proibida em Senhor do Bonfim

MP-BA intensifica a campanha contra as espadas em 14 municípios do estado. Se ligue!

11 de junho - 2019 às 09h39
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Correio 24 horas

Gil Santos

O São João está chegando e com ele a polêmica da guerra de espadas. Todos os anos há uma queda de braço entre os espadeiros e o Ministério Público do Estado (MP-BA), que intensificou a campanha contra a atividade em 12 municípios baianos. Em Senhor do Bonfim, no Centro-Norte do estado, existe uma determinação judicial desde 2017 que proíbe as batalhas, consideradas ilegais também pelo Estatuto do Desarmamento. Nesta terça-feira (11), integrantes da Associação Cultural de Espadeiros de Senhor do Bonfim (Acesb) vêm a Salvador para uma reunião com deputados estaduais e representantes do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado da Bahia (Ipac), na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).

Segundo George Nascimento, um dos líderes da Associação, o objetivo é discutir a possibilidade de tornar a guerra de espadas patrimônio cultural do estado. As batalhas estão proibidas por decisão do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e por recomendação do MP desde 2017. Ele defende que a atividade é uma forma de aproximar as pessoas e que faz parte da cultural local. No começo de junho, o MP lançou uma campanha de combate à guerra de espadas, intitulada ‘A vida vem antes da tradição’. Segundo o órgão, o objetivo é alertar e conscientizar a população para os perigos das batalhas que acontecem durante as festas juninas, no interior da Bahia.

A ação é realizada através de peças gráficas, cartazes, banners de lona, outdoor, anúncios em jornais e redes sociais. O MP lembra aos cidadãos que fabricar, possuir ou soltar espadas é crime, segundo o Estatuto do Desarmamento, cuja pena é de até seis anos de prisão, e que a brincadeira afronta o direito à saúde e segurança pública. A campanha será trabalhada com mais ênfase nas cidades de Cruz das Almas, Senhor do Bonfim, Santo Antônio de Jesus, Sapeaçu, Muritiba, Cachoeira, Nazaré das Farinhas, Muniz Ferreira, São Felipe, São Félix, Castro Alves e Campo Formoso.
 


 

Classificação

A associação que representa os espadeiros discorda do entendimento do MP. Segundo George, apesar dos riscos, a brincadeira faz parte da tradição. Ele defende que as espadas não se enquadram na definição de arma de fogo e nem como artefato explosivo ou incendiário, mas disse que respeita o posicionamento do TJ-BA. “A Associação orienta os espadeiros a cumprirem a decisão judicial, só que não temos controle. Por se tratar de uma ação popular, nem todos os espadeiros são associados, e a Associação não tem esse domínio sobre a população de forma geral”, disse.

Atualmente, existem cerca de 300 associados na instituição, mas a estimativa da Acesb é que cerca de 3 mil a 5 mil pessoas participem das guerras de espadas durante os festejos juninos no município. No ano passado, houve confrontos entre policiais militares e foliões, e há dois anos um espadeiro está respondendo a processo por conta da brincadeira. Além da iniciativa para tornar as batalhas patrimônio cultural do estado, a Associação contratou uma empresa para levantar o percentual, entre os moradores de Senhor do Bonfim, daqueles que aprovam e dos que desaprovam a atividade.

A meta é entrevistar 30 mil pessoas. A pesquisa será registrada e vai se juntar a um laudo pericial que classifica as espadas como fogos de artifício e que fará parte de uma representação judicial contra a proibição. O objetivo da categoria é conseguir a normatização da atividade.

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