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Lixão de Lapão: risco à saúde, vergonha para toda cidade

Sem esperança de ajuda por parte do poder público, pessoas convivem com cães famintos, ratos e urubus. Até quando?...

16 de agosto - 2017 às 09h49
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Fotos: Sertão Baiano

Passados pouco mais de três anos, desde que a reportagem do Sertão Baiano esteve pela primeira vez no lixão da cidade de Lapão - Região de Irecê, a situação de calamidade pública se agravou de forma assustadora: os ventos fortes, que atingem boa parte do Estado, têm contribuído para espalhar ainda mais os detritos (diariamente) depositados a céu aberto pelos caminhões e compactadores que prestam serviço à Prefeitura Municipal. O vento, que espalha sujeira, também leva doenças, mau cheiro e aumenta significativamente o risco de acidentes para motoristas que trafegam pela BA 432 – principal rodovia que liga Lapão às cidades de Irecê, Canarana, Barro Alto, Iraquara, Seabra e toda Chapada Diamantina. 


Nos anos anteriores, o lixo se concentrava ao lado esquerdo da BA 432, no sentido Lapão / Aguada Nova. Mas, agora, em função das novas condições climáticas, sacos, caixas de papelão, garrafas plásticas e mais uma infinidade de materiais e resíduos são encontrados do outro lado da pista, nas imediações da Vila Castro e bem próximo à Rua Bahia, acesso para a comunidade de Tanquinho. Amparado pela vegetação e pelas cercas de arame farpado, o amontoado se transforma num “monumento à feiura”. Em meio à sujeira, lutando por espaço com cães famintos, ratos e urubus, a catadora de material reciclável Erotildes Alves de Souza, de 76 anos, sobrevive com menos de R$ 100 por mês. 
 


“Eu ganho 25 centavos por quilo de plástico. É uma vida miserável, mas não tenho outra escolha. Trabalhei por mais de 20 anos na Prefeitura e não consegui me aposentar. Tenho oito filhos... três ainda moram comigo. Aqui, nesse lixão, já passei por coisa que até Deus duvida! Mas, fazer o quê, meu filho?”, questiona, desesperançosa, a moradora do Bairro Teotônio Rodrigues. Por medo de represálias, outros catadores (inclusive crianças) evitaram falar, abertamente, com a reportagem do Sertão Baiano. Mas, todos se queixam de manchas na pele, coceira no corpo, cansaço e problemas respiratórios, especialmente nos períodos em que o lixo é queimado. 
 


No local é possível encontrar muito entulho, pneus, móveis velhos e material queimado, prática que é categoricamente proibida pela Lei nº 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Entre outros artigos, o texto sancionado pela Presidência da República veda a “destinação ou disposição final de resíduos sólidos” em praias, corpos hídricos e lançamento in natura. Apesar de afetar diretamente moradores de Aguada Nova, Vila Castro, Rua Bahia e bairros adjacentes, o lixo espalhado pelo vento tem alcançado locais ainda mais distantes, a exemplo do Parque da Cidade, Centro Administrativo, a Praça Bráulio Cardoso e até mesmo a área externa do Cemitério Municipal, localizado a aproximadamente três quilômetros.

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Nesta terça-feira (16), dia da visita ao lixão de Lapão, como manda o manual do bom jornalismo, o Sertão Baiano  levou o problema até à Assessoria de Comunicação da Prefeitura. Entretanto, apesar do protocolo, até a publicação da matéria não obteve nenhuma resposta oficial por parte do Governo Ricardo Rodrigues. 

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