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Machado de Assis entendeu como poucos a loucura brasileira

Remédios milagrosos e governantes abilolados são personagens dos contos 'O alienista' e 'O anjo Rafael', relançados pela Confraria dos Bibliófilos do Brasil.

05 de julho - 2021 às 11h06
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Estado de Minas

Por Severino Francisco  

A loucura da gestão de saúde dos governantes sobre a pandemia atualizou a obra de Machado de Assis. O conto “O alienista” promove a inversão de todos os valores de sanidade e loucura. Ao fim, o médico Simão Bacamarte, instalado na cidadezinha de Itajaí, chega à conclusão de que está louco e se interna no hospício. Para celebrar seus 25 anos, a Confraria dos Bibliófilos do Brasil publica dois contos de Machado sobre o tema tão presente da loucura que nos ronda, com ilustrações da artista plástica brasiliense Naura Timm: “O alienista” e “O anjo Rafael”. As duas ficções têm prefácios assinados por John Gledson, Maria Elisane, Aluisio Ferreira e Maria Vanesse.

Se “O alienista” explora o tema da loucura institucional, “O anjo Rafael” trata da insanidade individual, em trama extremamente engenhosa. Sob o trauma da suposta traição da mulher, o major Tomás se insula em uma casa, se investe da identidade divina do anjo Rafael e envolve a bela filha Celestina no delírio. Tudo muda quando surge o doutor Antero. “Cansado da vida, descrente dos homens, desconfiado das mulheres e aborrecido dos credores, o doutor Antero da Silva determinou um dia despedir-se do mundo”, conta Machado. Ele se salva ao se envolver em um enredo de peripécias mirabolantes.

“O anjo Rafael” mereceria entrar nas melhores antologias de ficção fantástica. Só faltou para fechar a tríade machadiana da loucura incluir o romance “Quincas Borba”, que tematiza o desvario de um misterioso emplastro capaz, supostamente, de curar qualquer mazela, levando vários personagens rumo ao manicômio. Basta substituir emplastro Brás Cubas por cloroquina para termos um quadro completo dos desmandos das autoridades charlatãs sobre a saúde pública durante a pandemia que nos assola.

“O alienista” é obra-prima da literatura brasileira e mundial, enquanto “O anjo Rafael” é um conto quase inédito de Machado. Publicado apenas três vezes, ficou esquecido nas edições das obras completas do Bruxo do Cosme Velho. Para José Salles Neto, presidente da Confraria dos Bibliófilos, “O alienista” chega em hora muito oportuna da história brasileira: “'O alienista' mostra um quadro de loucura institucionalizada”, comenta Salles. “Ele tematiza a questão do charlatanismo da mesma maneira que 'Quincas Borba'. Machado critica e zomba do emplastro Brás Cubas, o nosso cloroquinismo atual.”

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