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Morte de Martin Luther King completa 50 anos

Líder negro que proferiu discurso histórico em 1963 é figura central para entender o movimento dos direitos civis dos EUA.

04 de abril - 2018 às 11h19
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R7

“Eu tenho um sonho”. A frase que sintetiza aquele que é considerado o maior discurso do século XX foi proferido por Martin Luther King nos degraus do Lincoln Memorial em 1963, durante a Marcha de Washington. Naquele dia, cerca de 250 mil pessoas reunidas lutavam pela defesa dos direitos civis dos negros norte-americanos. O sonho de Luther King foi interrompido em 4 de abril de 1968, há exatos 50 anos, quando ele foi assassinado em quarto de hotel em Memphis. Luther King é até hoje um símbolo da paz em todo mundo. Durante a sua trajetória no movimento de direitos civis, ele foi o grande coordenador de um movimento que tentava revidar a violência do racismo americano de uma forma pacifista. Para Maurício Santoro, professor de Relações Internacionais da Uerj, Luther King é fruto de uma época e de um contexto social muito específico: a segregação racial vivida nos Estados Unidos no pós-guerra.

“A grande força dele é esse encontro entre as características individuais dele, absurdamente fantásticas, com um movimento social muito forte. Ele está falando com uma classe média negra que está subindo, ele está falando com um movimento trabalhista negro bem organizado que está reivindicando mais direitos”, afirma o professor. Santoro destaca que Martin Luther King foi um negro que viveu em um país segregado, frequentando espaços exclusivos para negros como escola e universidade. Ele formou-se em sociologia, em 1948.

Filosofia de Não-Violência 

Até hoje, King é lembrado por sua filosofia de não violência. Ele ensinava aos negros norte-americanos a não revidarem quando eram vítimas de situações racistas. O discurso de Luther King tem uma forte inspiração cristã, já que ele era um pastor protestante, criado em uma família muito religiosa. Grande parte dos seus discursos foram feitos em igrejas dos Estados Unidos. O professor de Jornalismo da USP Ricardo Alexino afirma que até 1963, quando fez seu famoso discurso, Luther King não tinha emplacado vitórias reais no  movimento. Em dezembro, no entanto, ele foi eleito como Homem do Ano pela revista Time. E mais frutos viriam nos anos seguintes.

Em 1964, foi aprovada a Lei de Direitos Civis dos Estados Unidos, que decretava o fim da segregação no país. Luther King recebeu um prêmio Nobel da Paz. Em 1965, foi aprovada a Lei do Voto, que proibia práticas vexatórias que pudessem impedir negros de votar, como os testes de alfabetização que eram exclusivos para pessoas negras.

Além dos Direitos Civis 

O professor Maurício Santoro, da Uerj, afirma que a vida e o legado de Luther King costumam ser resumidos no movimento de direitos civis, mas que ele é mais que isso. Após as vitórias conquistadas com as bênçãos do presidente Lyndon Johnson, o pastor se direcionou para combater a Guerra no Vietnã, que começava naquele período. Naquele momento, o discurso de não violência de Luther King, que até então era muito aceito, inclusive pela classe média branca norte-americana, passou a ser contestado. Depoimentos dão conta de que nos últimos anos de vida, ele estava se aproximando do ostracismo e muito deprimido.

Relação com Malcolm X 

Ao contrário de King, o também ativista Malcolm X pregava um discurso de maior violência contra o racismo e o poder estabelecido. Isso faz com que eles sejam constantemente comparados. Malcolm X também foi vítima de um assassinato, mas antes de King, em 1965. Segundo o professor Santoro, antes de morrer, no entanto, Malcolm X estava se aproximando de um discurso mais central, enquanto Luther King fazia o trajeto contrário. “Talvez, se eles tivessem vivido dez anos mais, seus discursos tivessem se encontrado”, afirma.

A globalidade e temporalidade do ídolo 

Até hoje Martin Luther King é um símbolo muito importante na luta anti-racista em todo mundo. Para Santoro, isso se deve ao contexto de libertação dos países africanos de seus colonizadores europeus que acontecia no mesmo período. “Os líderes da independência africana e do movimento norte-americano costumavam se encontrar”, destaca. Por outro lado, o professor Alexino, da USP, questiona a efetividade que o discurso de Luther King pudesse ter se acontecesse nos dias atuais. “Não quero diminuir o impacto que Luther King teve, mas estou inclinado a acreditar que o discurso mais contemporâneo seria o do Malcolm X."
 

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