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Museu Nacional abrigava fóssil Luzia, esqueleto mais antigo das Américas

Embora possua um dos mais importantes acervos de História Natural da América Latina, o museu estava vergonhosamente abandonado.

03 de setembro - 2018 às 07h49
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Estadão Conteúdo // Roberta Jansen

O maior tesouro do Museu Nacional, que foi atingido por um incêndio na noite deste domingo, 2, é o esqueleto mais antigo já encontrado nas Américas, com cerca de 12 mil anos de idade. Achado em Lagoa Santa, em Minas Gerais, em 1974, trata-se de uma mulher que morreu entre os 20 e os 25 anos de idade e foi uma das primeiras habitantes do Brasil. O crânio de Luzia e a reconstituição de sua face - revelando traços semelhantes aos de negros africanos e aborígines australianos - estavam em exibição no museu. A descoberta de Luzia mudou as principais teorias sobre o povoamento das Américas. É considerado o maior tesouro arqueológico do país.

O Museu Nacional é a mais antiga instituição científica do País - completou 200 anos em junho. Embora possua um dos mais importantes acervos de História Natural da América Latina, o museu chegou à data simbólica abandonado, com goteiras, infiltrações, problemas na parte elétrica, na refrigeração e salas vazias. Os salões com pisos de madeira, e o acervo, entre elas a maior biblioteca da América Latina, podem ter contribuído para agravar o incêndio. O novo diretor da instituição, Alex Kellner, que assumiu o cargo este ano, tentava negociar parcerias com a iniciativa privada para recuperar o museu.

O prédio onde hoje funciona o Museu Nacional/UFRJ foi uma doação do comerciante Elias Antônio Lopes ao príncipe regente D. João, em 1808, ano da chegada da família real ao Rio. Após a morte de dona Maria I, em 1816, D. João mudou-se definitivamente para o Paço de São Cristóvão, onde permaneceu até 1821. D. Pedro I e D. Pedro II também moraram por lá.

Com o fim do Império, em 1889, toda a família se exilou na França. O palácio foi, então, palco da plenária da primeira Assembleia Constituinte da República, entre novembro de 1890 e fevereiro de 1891. O Museu Nacional se mudou para o palácio no ano seguinte, 1892. "Acho que o palácio em si é o item individual mais importante da coleção porque conta boa parte da história do nosso País", diz Alex Kellner.

 

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