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Música pra elevar a alma: Haiti

Canção de Caetano Veloso e Gilberto Gil apresentada numa versão Rock and Roll.

13 de junho - 2015 às 11h28
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Foto: Divulgação

Mais do que um simples lugar-comum, a expressão “a música é uma linguagem universal” pode ser considerada um axioma. Dentro deste contexto, numa percepção ainda mais ampla, é possível encontrar conexões, pontos de convergência e similaridades entre diversos ritmos e estilos. Um bom exemplo é a versão de Haiti com a rubrica da Banda Trampa (Brasília). A música, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, foi lançada originalmente em 1993, no disco Tropicália 2, de Caetano. A letra é um “petardo social” que expõe, de forma poética e provocativa, conflitos gerados pela desigualdade sociorracial (seja no Brasil, no Haiti ou em qualquer parte do mundo). Nesta versão, trazida pelo Sertão Baiano, chama atenção a fúria do vocal, o peso da bateria e os riffs de guitarra. 

Haiti

Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados

E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula

Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão

Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina

111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba

Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

 

 

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