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Pequenas cidades do Nordeste vão sofrer ‘apagão médico’ com saída de cubanos

Somente na Bahia, há 846 médicos cubanos atuando em 313 municípios, o que equivale a 20% da cobertura na atenção básica.

20 de novembro - 2018 às 09h16

Reportagem de João Pedro Pitombo e João Valadares na Folha de S.Paulo informa que, encravada no sertão da Bahia, Uauá (a 428 km de Salvador) é conhecida pela carne de bode na brasa, pelo doce de umbu e pelo sotaque castelhano que ecoa em suas unidades básicas de saúde —dos 10 médicos que atendem na cidade, 8 são cubanos. Com dez postos de saúde e cobertura a 100% de seus 27 mil habitantes, a cidade teme sofrer uma espécie de “apagão médico” com o encerramento do contrato com Cuba no programa Mais Médicos.

De acordo com a publicação, a situação deve se repetir em outras cidades do Nordeste, região que recebeu grande parte dos cerca de 8.500 médicos cubanos do programa. Por ficarem em regiões isoladas e distantes dos grandes centros, os municípios têm dificuldades de contratar médicos brasileiros. Somente na Bahia, há 846 médicos cubanos atuando em 313 municípios, o que equivale a 20% dos médicos que atuam na atenção básica. A saída deles fará com que a cobertura de atenção básica no estado caia de 63% para 43%. “Voltaremos para um patamar de oito anos atrás. São quase 3 milhões de baianos que ficarão sem médico”, afirma Cristiano Soster, diretor de atenção básica da Secretaria de Saúde da Bahia, completa a Folha.

 

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