Sertão Baiano - Quem é quem em 'O Mecanismo', da Netflix?
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Quem é quem em 'O Mecanismo', da Netflix?

Série foi inspirada na Lava Jato, mas mudou nome de personagens, empresas e até da PF.

28 de março - 2018 às 11h27
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Com informações Correio 24h / Divulgação

A série "O Mecanismo" estreou na sexta-feira passada na Netflix e tem provocado muita polêmica e dividido opiniões. Criada por José Padilha ("Tropa de Elite", "Narcos") e Elena Soarez, a série trata da Operação Lava Jato, investigação da Polícia Federal a vários esquemas de corrupção que começou em março de 2014. A série já tem segunda temporada marcada para março do ano que vem. Apesar de tratar de um esquema amplamente noticiado, a série preferiu não usar os nomes conhecidos dos brasileiros - muito provavelmente para evitar problemas legais. Para usar o próprio nome da Polícia Federal, por exemplo, a produção tinha que assinar um termo que dava à PF acesso ao processo de criação da obra. Padrilha preferiu não fazer isso, segundo a Folha de S. Paulo. Por isso, ao invés de Polícia Federal, na série é Polícia Federativa. A insígnia e brasão da corporação também não é usada.

Quem é quem: fotos abaixo 

O personagem de Selton Mello foi inspirado no policial Gerson Machado (Foto: Divulgação)

O senador Aécio Neves aparece na série como Lúcio Lemes (Michel Bercovitch)

Ex-presidente Dilma na série é a ex-presidente Janete Ruscov (Sura Berditchevsky)

A delegada Verena Cardoni, interpretada por Carol Abras, é baseada na delegada Erika Marena

O dirigente da Petrobras Paulo Roberto Costa na série é João Pedro Rangel (Leonardo Medeiros)

Ex-presidente Lula na versão da ficção é João Higino (Arthur Kohl)

O empreiteiro Marcelo Odebrecht na série virou Ricardo Brecht, interpretado por Emilio Orciollo Netto

O juiz Sergio Moro na série virou Juiz Rigo (Otto Jr)

Doleiro Alberto Youssef é representado na série por Roberto Ibrahim, vivido por Enrique Diaz (Foto: Divulgação)

Presidente Michel Temer é o vice-presidente Samuel Thames (Tonio Carvalho)


Polêmica 

Inspirada na Operação Lava Jato, a mais nova série brasileira da Netflix, O Mecanismo, vem causando debates acalorados nas redes sociais mesmo antes da sua estreia, na última sexta-feira (23).  Dentre as críticas dirigidas à produção assinada por José Padrilha e estrelada por Selton Mello, está o fato de o personagem inspirado no ex-presidente Lula utilizar a frase "estancar a sangria", dita na verdade pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR) em um áudio divulgado ao público em 2016.  Ele se referia aos esforços para deter os trabalhos da Operação Lava Jato.

Neste domingo (25), a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) divulgou nota criticando a Netflix e, principalmente, o diretor José Padilha, a quem acusou de "desonestidade intelectual". Ela disse que, apesar de O Mecanismo se dizer "baseada em fatos reais", o cineasta distorce a realidade, propaga mentiras e pratica o "assassinato de reputações". Sobre a frase do senador Romero Jucá atribuída a Lula na série, Dilma escreveu: "Jucá confessava ali o desejo de 'um grande acordo nacional'. O estarrecedor é que o cineasta atribui tais declarações ao personagem que encarna o presidente Lula". 
 


 


A ex-presidente comparou a narrativa a outros fatos da história mundial. "É como se recriassem no cinema os últimos momentos da tragédia de John Kennedy, colocando o assassino, Lee Harvey Oswald, acusando a vítima. Ou Winston Churchill acertando com Adolf Hitler uma aliança para atacar os Estados Unidos. Ou Getúlio Vargas muito amigo de Carlos Lacerda, apoiando o golpe em 1954". A petista finaliza dizendo reiterar o respeito pela liberdade de expressão e manifestação artística, mas exigindo que a série se assuma como uma obra de ficção. "É forçoso reconhecer que se trata de ficção. Caso contrário, o que se está fazendo não está baseado em fatos reais, mas em distorções reais, em 'fake news' inventadas", diz. 

O criador da série, José Padilha, falou sobre a polêmica com a fala de Jucá. “Jucá não é dono dessa expressão (estancar a sangria)”, diz, ressaltando que não foi ele particularmente quem roteirizou ou dirigiu o episódio em questão, embora tenha supervisionado. “‘O Mecanismo’ é uma obra-comentário. Na abertura de cada capítulo está escrito que os fatos estão dramatizados, se a Dilma soubesse ler, não estaríamos com esse problema”, afirmou ele para a Folha de S. Paulo.

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