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Uber olímpico: pugilista Adriana Araújo faz bico pra se sustentar

Sem patrocínio, a lutadora baiana, bronze em Londres-2012, vira motorista nas horas vagas para se manter no esporte.

11 de dezembro - 2017 às 12h28
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Daniela Leone // Correio

Se você é usuário do Uber pode ter a honra de ser conduzido por uma medalhista olímpica qualquer dia desses. Bronze nos Jogos de Londres, em 2012, a pugilista Adriana Araújo troca as luvas pelo volante do carro há dois meses para conseguir pagar as contas. Ela treina até o final da tarde de segunda a sábado e depois dirige até a madrugada. No domingo, dia em que deveria apenas descansar, ela roda o dia inteiro para faturar um pouco mais. “Tem dias que eu fico exausta. É triste ter que passar por isso depois de tudo que já fiz pelo meu país, medalha olímpica, história para a modalidade... (Você) Não tem noção da tristeza que sinto, mas não posso me abater, pois confio no meu trabalho e sei que ainda vai aparecer um filho de Deus pra que eu possa continuar no boxe profissional”, afirma a lutadora, de 36 anos.

Sem patrocínio, a pugilista baiana precisa do extra para se manter nos ringues. Adriana se profissionalizou após os Jogos do Rio-2016, mas não consegue se sustentar com o boxe. Mesmo assim, não desiste do esporte. Apesar da dificuldade, ela se prepara para sua terceira luta como profissional. O desafio, que valerá o cinturão internacional, deve acontecer em janeiro na cidade de Lauro de Freitas. A data e a adversária ainda não estão definidas. “O título está vago e estou com a cabeça tranquila. Por mais dificuldade que tenha, meu psicológico está ótimo”, garantiu a única brasileira a conquistar uma medalha no boxe olímpico. Ela escreveu o nome na história ao subir no pódio na estreia do boxe feminino nos Jogos. Antes de 2012, apenas boxeadores homens disputavam o maior torneio esportivo do planeta.  

Dessa vez, Adriana quer vencer por nocaute. Ela levou a melhor nas duas primeiras lutas da carreira como profissional, mas em ambas a decisão foi por pontos. Pela categoria super-leve, até 63,5kg, ela derrotou a pernambucana Elaine Albuquerque por decisão unânime dos juízes após o sexto round, no dia 17 de junho. Também por decisão dos juízes, ela venceu a paulista Vanessa Porto, em 23 de setembro. “O boxe olímpico é totalmente diferente. Tem muita pontuação, não usa tanta rotação de tronco, de perna, mas a vantagem é que meu estilo já era bem profissional, pois sou pegadora, forte. O nocaute é consequência. Na próxima luta, vai acontecer”, confia a pugilista, que é treinada por Luíz Dórea, mesmo técnico de atletas como Robson Conceição e Anderson Silva.

Determinação e persistência estão sempre presentes no cotidiano de Adriana. Trocando socos nos ringues ou pilotando o carro, ela não perde a confiança e o bom humor. “Outro dia, duas moças me reconheceram e disseram que estavam mais seguras guiadas por uma lutadora”, conta. Ela revela que maioria das pessoas que leva a reconhece e pede para tirar foto. “A galera curte, mas fica triste pela minha situação. Vida que segue. Sei que ainda posso trazer muita alegria para o meu país e sigo em busca de um empresário que faça um investimento em mim e que acredite que eu posso chegar a um título mundial”, projeta a medalhista olímpica.

 

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