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10 curiosidades sobre a cantora Teresa Cristina no dia do seu aniversário

No dia 28 de fevereiro, o samba celebra uma de suas intérpretes mais consistentes e respeitadas das últimas décadas. Teresa Cristina não é apenas uma grande cantora: é pesquisadora intuitiva do gênero, ponte entre gerações e figura decisiva no fortalecimento da presença feminina em um território historicamente masculino. 

A seguir, para homenagear a cantora e compositora nascida em Bonsucesso e criada na Vila da Penha, no subúrbio do Rio de Janeiro, reunimos 10 curiosidades sobre sua trajetória. 

1 – Antes do samba, muitos caminhos

Filha de um feirante vendedor de frutas do Méier, antes de decidir-se pela carreira artística, Teresa Cristina trabalhou com muitas coisas: foi manicure, fiscal do Detran, programadora de rádio pirata na UERJ, vendedora de cosméticos e auxiliar de escritório. Cursou Letras na Universidade Estadual do Rio de Janeiro, formação que dialoga diretamente com o rigor e a atenção que sempre dedicou ao repertório.

2 – Só na maturidade compreendeu o verdadeiro tamanho de Candeia

Teresa conta que – embora tenha tido contato com o trabalho do sambista carioca Candeia ainda criança, por influência do pai – na época achava aquela sonoridade “ultrapassada”. Seu interesse era mais voltado à música estrangeira: de Donna Summer a Iron Maiden. 

Foi na época em que cursava Letras que teve contato novamente com o trabalho do sambista, quando um amigo lhe emprestou um disco de Candeia. Foi então somente adulta que percebeu a potente mensagem de valorização dos negros, em especial por meio do samba, com as músicas de Candeia. Teresa montou um espetáculo baseado no repertório do compositor. Desde então, a cantora honra o sambista e já o inclui diversas vezes em seu repertório.

3 –  Aprendeu a compor sem tocar nenhum instrumento

Aos 27 anos, Teresa Cristina compôs sua primeira canção. Frequentadora de um centro de umbanda desde a adolescência, aprendeu a criar melodias sem depender de instrumentos – um exercício de escuta interna que marca sua relação com o samba até hoje.

4 – Surgiu no quintal da Portela

Seus primeiros passos mais consistentes aconteceram no quintal da Tia Surica, matriarca da Portela, em Madureira, cantando sambas de Jair do Cavaquinho, Argemiro da Portela, Casquinha e Monarco. Este último costumava dizer: “Esta menina é coisa nossa, coisa muito séria”.

Foi nesse ambiente que Teresa recebeu o reconhecimento merecido de veteranos e passou a circular ao lado da Velha Guarda da Portela.

Já com a carreira consolidada, em 2004, a cantora participou do disco “Surica”, no qual fez dueto com a pastora da Velha-Guarda da Portela na faixa “Cafofo da Surica”, de sua autoria.

5 – Foi peça-chave na revitalização da Lapa

A partir de 1998 – a convite de Guaracy da Portela Teresa Cristina começou a cantar no Bar Semente, na Lapa – centro boêmio do Rio de Janeiro – aumentando consideravelmente a quantidade de público do local. O espaço deu nome ao grupo que a acompanharia: Grupo Semente. 

Teresa tornou-se uma das responsáveis pelo renascimento musical e revigoração do bairro no fim dos anos 1990.

6 – Paulinho da Viola e o disco que a projetou nacionalmente

Em 2002, a cantora lançou o álbum duplo “A música de Paulinho da Viola, com participações da Velha Guarda da Portela e do Conjunto Época de Ouro, além do próprio Paulinho. O trabalho a projetou para o grande público, rendeu vários prêmios e uma indicação ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba, consolidando a imagem de Teresa Cristina como herdeira da tradição do samba de raiz.

Na época, Paulinho da Viola declarou sobre Teresa Cristina: “É uma figura jovem e cativante, excelente cantora de samba. A gente está precisando de cantoras assim, porque hoje em dia não tem gente interpretando samba como ela”.

A cantora interpretou e honrou diversas vezes a obra de Paulinho da Viola durante a sua carreira.

7 – Coleciona homenagens e projetos temáticos

Ao longo da carreira, Teresa Cristina dedicou shows e discos inteiros a nomes fundamentais da história do samba, como além de Paulinho da Viola – Cartola(em 2016) e Noel Rosa (em 2018).

Também fez um álbum dedicado à obra de Roberto Carlos em 2012: “Teresa Cristina + Os Outros = Roberto Carlos” – e seu mais recente lançamento foi o álbum “Jessé: As Canções de Zeca Pagodinho”.

A trajetória de Teresa Cristina revela uma artista que pesquisa, revisita e reorganiza o repertório da música brasileira com rigor e afeto.

8 – Tornou-se a “Rainha das Lives”

Durante a pandemia de Covid-19, Teresa realizou lives em transmissões diárias de sua casa por 203 dias consecutivos. Ela chegou a reunir mais de 14 mil espectadores em uma única noite. Recebeu convidados como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Luiz Inácio Lula da Silva. 

O apelido de “Rainha das Lives” veio acompanhado do prêmio “Faz a Diferença 2020”, do jornal O Globo, e do reconhecimento da APCA como Artista do Ano. Merecidíssimo. E merecia MUITO mais.

9 –  Protagonismo feminino e negro como marca

Teresa Cristina integra uma geração de mulheres que ampliaram o espaço feminino no samba. Não apenas como intérpretes (o que já é maravilhoso), mas também como compositoras e líderes de projetos. 

Em diferentes momentos, ela apresentou espetáculos com bandas formadas exclusivamente por mulheres e repertórios dedicados a compositores negros. Em 2024, passou a apresentar a nova versão do programa “Samba na Gamboa”, na TV Brasil, ampliando ainda mais sua presença como mediadora da tradição do samba.

10 – Levou o samba em turnê pelo mundo

Ao longo da carreira, Teresa realizou turnês no Japão, Alemanha, França, Espanha, Holanda e Itália. Em 2008, a convite do Itamaraty, apresentou-se na Bulgária, África do Sul e Argentina. 

Em 2016, saiu em turnê mundial ao lado de Caetano Veloso, com shows em Paris, Lisboa, Seul, Osaka, Tóquio e Nova York. Uma trajetória que confirma o alcance internacional de um trabalho profundamente enraizado no samba.

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