Sucesso nas tardes da TV Globo, a reprise da novela “A Viagem” tem reacendido não só a paixão do público pela trama, como também memórias profundas do elenco. Em entrevista à revista Quem, Lucinha Lins, que interpretou Estela na trama, relembrou uma experiência emocionante e inexplicável ocorrida durante as gravações originais, nos anos 1990.
Segundo a atriz, durante a gravação da cena do crematório do personagem Alexandre (Guilherme Fontes), um momento delicado para todos, especialmente para Christiane Torloni, que havia perdido um filho na vida real, um episódio tocante aconteceu:
“Estávamos em um estúdio frio, e apareceu uma borboletinha pequenina, amarela. Ela voava ao redor da Christiane e pousava no caixão cenográfico, bem em frente a ela. Isso foi filmado. Tivemos que parar algumas vezes”, relatou.
Para Lucinha, a presença do inseto parecia ter um significado maior. “Parecia, para todos nós, e acho que para a Cris também, um alento. Aquela borboleta era como se fosse o filho dela dizendo: ‘Fica calma, mamãe. Está tudo bem’”, afirmou, emocionada. Torloni chegou a interromper a cena por conta de uma crise de choro, e só retomou após se recompor.
O impacto da novela
Com a temática espírita como pano de fundo, A Viagem foi considerada ousada para a época. Lucinha contou que o tema gerou controvérsia quando a novela foi exibida originalmente. “Teve gente dizendo que era mentira, que não era assim, e outros afirmando que era exatamente aquilo. O espiritismo gerou muita curiosidade”, recordou.
Hoje, ela se diz encantada com o alcance intergeracional da obra. “Essa novela virou um fenômeno atemporal. Pessoas que nem eram nascidas na época me chamam de Estela na rua. Quem já viu, quer ver de novo. Quem nunca viu, fica curioso. É um fenômeno que não sei nem explicar”, declarou.
Sobre remake e religiosidade
Questionada sobre a possibilidade de um remake, Lucinha não acredita que seja o momento. “Talvez daqui a uns 20 anos. Agora ainda está tudo muito presente”, apontou. Ela também falou sobre sua espiritualidade. “Fui criada na igreja católica, mas hoje sou uma mulher de fé, que se encanta pela doutrina espírita, embora não siga nenhuma religião à risca”, concluiu.