A busca por uma mulher desaparecida após as fortes chuvas em Vitória da Conquista pode ter chegado ao fim nesta quinta-feira (12), quando um corpo foi localizado na zona rural do município, no sudoeste da Bahia. A principal suspeita é de que a vítima seja Rosânia Silva Borges, de 44 anos, que havia desaparecido depois de ser arrastada pela enxurrada durante um temporal registrado na última segunda-feira (9), nas proximidades do canal da Avenida Caracas, no bairro Jurema.
De acordo com informações repassadas ao Centro Integrado de Comunicação (CICOM), o corpo foi localizado por um trabalhador rural que atua como vaqueiro em uma propriedade da região de capinal. Ele percebeu a presença do cadáver no leito do rio após o nível da água baixar, situação provocada pelo fim das fortes chuvas que atingiram a cidade nos últimos dias. O vaqueiro relatou ainda que urubus sobrevoavam o local, o que chamou sua atenção e o levou a verificar a área. Após constatar a presença do corpo, ele comunicou o proprietário da fazenda, que acionou as autoridades.
Equipes da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia foram mobilizadas para realizar os procedimentos de remoção e identificação da vítima. Até o momento da confirmação oficial pelos órgãos responsáveis, a suspeita é de que o corpo seja de Rosânia, moradora do bairro Vila América e mãe de cinco filhos.
Rosânia desapareceu após um forte temporal atingir a cidade. Com menos de duas horas de chuva, a Avenida Caracas voltou a ficar completamente tomada pelas águas. A mulher era passageira de um carro de transporte por aplicativo que acabou sendo arrastado para o canal de drenagem da via. Embora tenha conseguido sair do veículo junto com o motorista, Rosânia acabou sendo puxada pela força da enxurrada e desapareceu.
A tragédia gerou forte comoção na cidade. Durante a noite seguinte ao desaparecimento, familiares, amigos e moradores realizaram protestos cobrando mais rapidez nas buscas. Manifestantes chegaram a bloquear trechos da Avenida Juracy Magalhães, nas proximidades do Shopping Conquista Sul, com cartazes e pneus queimados. Grupos de voluntários e motoboys também participaram das buscas durante a madrugada.
O caso reacendeu um debate antigo em Vitória da Conquista: a falta de soluções estruturais para os problemas de drenagem urbana em pontos críticos da cidade. Em menos de quatro meses, esta foi a terceira ocorrência grave registrada no canal da Avenida Caracas. Em novembro de 2025, um motorista também foi arrastado pela correnteza no mesmo local e percorreu cerca de 550 metros antes de ser resgatado.
Apesar do histórico de acidentes, moradores e usuários da via questionam a ausência de medidas básicas de segurança, como a instalação de gradis ou barreiras de proteção no canal aberto. Após o episódio, a prefeita Sheila Lemos determinou a interdição do trecho da via, que permanece sem proteção.
O secretário municipal de Infraestrutura Urbana, Jackson Yoshiura, afirmou que os canais abertos são utilizados na cidade há décadas e justificou que a instalação de gradis poderia provocar acúmulo de lixo. A explicação, no entanto, tem sido alvo de críticas da população nas redes sociais, que cobra soluções mais efetivas para evitar novas tragédias.
Especialistas apontam que a drenagem urbana é um dos pilares do saneamento básico e tem papel fundamental na prevenção de enchentes e enxurradas. O sistema envolve uma infraestrutura complexa que inclui bueiros, galerias, canais e pavimentação adequada, responsáveis por coletar e conduzir a água da chuva para locais apropriados. Enquanto projetos estruturantes de drenagem seguem em fase de análise para captação de recursos federais, moradores de Vitória da Conquista continuam convivendo com um problema que, segundo relatos históricos da própria comunidade do bairro Jurema, se arrasta há décadas e que agora com uma vítima fatal.