Por Brasil de Fato
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, rebateu neste sábado (2), em publicação na rede social X, as novas ameaças contra o país feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No dia anterior, o magnata voltou a afirmar que, após encerrar a guerra contra o Irã, iria tomar Cuba.
Em resposta, o líder cubano ressaltou a soberania da Ilha e afirmou que “nenhuma agressor encontrará rendição em Cuba”.
“Tropeçará com um povo decidido a defender a soberania e a independência em cada palmo do território nacional”, declarou, nas redes sociais.
O líder estadunidense afirmou na sexta que poderia “assumir” Cuba rapidamente após o fim de uma eventual guerra contra o Irã. A fala aconteceu na Flórida, durante um evento e em meio a um comentário a respeito da origem de um dos convidados.
Trump afirmou que os Estados Unidos poderiam posicionar um porta-aviões próximo à costa cubana e chegou a afirmar que bastaria parar a poucos metros do território para que houvesse uma rendição. Na mesma publicação nas redes sociais, Díaz-Canel afirmou que Trump elevou suas ameaças a uma perigosa escala sem precedentes e conclamou a comunidade internacional a reagir ao comentário do estadunidense.
“A comunidade internacional deve tomar nota e, junto ao povo dos EUA, determinar se se permitirá um ato criminoso tão drástico para satisfazer os interesses de um grupo pequeno, mas rico e influente, com ânsias de vingança e dominação”.
Mais sanções, mais asfixia
Na sexta, Trump ordenou novas sanções destinadas a asfixiar o governo de Cuba, que convocou uma manifestação neste Dia Internacional do Trabalhador para “defender a pátria” e denunciar as ameaças de agressão militar americana.
O magnata diz considerar que a ilha comunista, situada a 150 km da costa da Flórida, segue representando uma “ameaça extraordinária” para a segurança nacional dos Estados Unidos.
As sanções, detalhadas em um decreto presidencial e destinadas a aumentar a pressão sobre Havana, mergulhada em uma crise econômica, se dirigem especificamente aos bancos estrangeiros que colaboram com o governo cubano e impõem restrições migratórias.
Além do embargo vigente desde 1962, Washington, que não esconde o desejo de ver uma mudança de regime na ilha, impôs, em janeiro, um bloqueio petrolífero a Cuba, permitindo a entrada no país apenas de um navio carregado com petróleo russo.
O anúncio de novas sanções coincidiu com o Dia dos Trabalhadores, que Cuba celebrou com um desfile em frente à embaixada americana em Havana, ao qual compareceram o líder revolucionário Raúl Castro, de 94 anos, e o presidente Miguel Díaz-Canel. Apesar da situação tensa, os dois países mantêm conversações.
“O governo dos EUA anunciou novas medidas coercitivas que reforçam o brutal bloqueio genocida, como evidência de sua pobreza moral e do desprezo à sensibilidade e ao sentido comum dos estadunidenses e de toda a comunidade internacional”, escreveu o mandatário cubano em uma mensagem publicada em suas redes sociais.
Díaz-Canel apontou que “uma pessoa honesta não pode aceitar a desculpa de que Cuba é uma ameaça para este país. O bloqueio e seu reforço causaram tanto dano, devido à conduta intimidatória e arrogante da maior potência militar do planeta.”