A Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) iniciou o processo de consulta pública para discutir a implantação do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Serra da Chapadinha, área que poderá abranger aproximadamente 18,3 mil hectares entre os municípios de Itaetê, Ibicoara e Mucugê. A iniciativa busca reunir contribuições da população e de diferentes segmentos da sociedade antes da definição final do projeto. Durante os próximos 30 dias, moradores, pesquisadores, produtores rurais, representantes de entidades e demais interessados poderão analisar os estudos técnicos elaborados para a região e apresentar sugestões.
Além da participação virtual, estão previstos encontros presenciais nos municípios envolvidos, ampliando o debate sobre a proposta e seus possíveis impactos ambientais, sociais e econômicos. De acordo com informações da Sema, a área escolhida possui importância estratégica para a preservação dos recursos naturais da Bahia. Localizada na Bacia do Rio Una, integrante do sistema hidrográfico do Rio Paraguaçu, a Serra da Chapadinha desempenha papel relevante na recarga e manutenção de mananciais que contribuem para o abastecimento de diversas comunidades, incluindo localidades da Região Metropolitana de Salvador.
A proteção da área é apontada como uma medida voltada à segurança hídrica em um cenário de crescente preocupação com os efeitos das mudanças climáticas. Os estudos que fundamentam a proposta vêm sendo desenvolvidos desde 2023 e incluem levantamentos ambientais, análises socioeconômicas, visitas técnicas e diálogos com diferentes setores da sociedade. Além da proteção das nascentes, a futura unidade de conservação pretende fortalecer a preservação da vegetação nativa e dos habitats que abrigam espécies ameaçadas e endêmicas, incentivar pesquisas científicas e ações de educação ambiental, além de contribuir para a valorização do patrimônio cultural e dos modos de vida tradicionais existentes na região.
A abertura da consulta ocorre em meio a debates sobre a proteção da Serra da Chapadinha, área que tem sido alvo de preocupações relacionadas ao avanço de atividades como mineração, desmatamento e conflitos fundiários. Também acontece cerca de um mês após os ambientalistas Alcione Corrêa e Marcos Fantini relatarem terem sido vítimas de um ataque praticado por homens armados e encapuzados em uma propriedade localizada na região. Segundo os relatos apresentados pelas vítimas, houve destruição de equipamentos e ameaças. O caso segue sendo acompanhado pelas autoridades, enquanto o governo estadual afirma que acompanhará as ações voltadas à segurança de defensores ambientais que atuam no território.