Os grupos políticos do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (UB), e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), costuraram um acordo de bastidores para retirar o chamado “Caso Master” do centro da disputa eleitoral na Bahia neste ano. A avaliação, compartilhada por aliados de ambos os lados, é de que a repercussão do tema poderia gerar desgastes mútuos em um cenário já marcado pela forte polarização. O entendimento ocorre em meio à intensificação das articulações políticas no estado: ACM Neto se movimenta para uma nova disputa ao governo da Bahia, enquanto Jaques Wagner busca a reeleição ao Senado e atua como um dos principais apoiadores da permanência do governador Jerônimo Rodrigues (PT) no cargo.
De acordo com o jornal O Globo, ACM Neto recebeu R$3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag entre março de 2023 e maio de 2024, conforme dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O ex-prefeito afirmou que os valores correspondem a serviços de consultoria e declarou estar disposto a prestar esclarecimentos à Justiça. Já em relação ao senador, veio à tona que uma empresa ligada à nora de Jaques Wagner recebeu ao menos R$11 milhões da mesma instituição financeira, por meio de contrato firmado em 2021. O senador declarou não ter conhecimento de qualquer investigação e negou participação em intermediações.
O caso também envolve outros grandes nomes da política, incluindo relações do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do Master, com figuras do PT baiano, como o ministro da Casa Civil, Rui Costa.