Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Ciro Nogueira tinha grupo de WhatsApp com investigados na máfia dos combustíveis, diz revista

Mensagens reunidas no âmbito da Operação Carbono Oculto indicam que o senador Ciro Nogueira integrou um grupo de WhatsApp com empresários investigados por supostas fraudes no setor de combustíveis. Os dados foram obtidos após a quebra de sigilo telemático de Haran Santhiago Girão Sampaio e Danillo Coelho de Sousa, alvos de apurações por adulteração de combustíveis, fraudes comerciais, ocultação de bens e lavagem de dinheiro. A informação está na revista Piauí desta quarta-feira (1º) e a relação entre o senador e os investigados foi revelada em série de matérias que o ICL Notícias começou a publicar em novembro de 2025.

O grupo, denominado “Ciro Vitor Haran Danilo”, reunia o senador, os dois empresários e Victor Linhares de Paiva, conhecido como Vitinho, ex-assessor de Nogueira e também denunciado pelo Ministério Público do Piauí. Apesar de as conversas utilizarem mensagens temporárias, capturas de tela salvas por um dos integrantes permitiram o acesso parcial ao conteúdo pelos investigadores.

Em uma das interações, datada de novembro de 2023, o senador convida os participantes para um encontro em sua residência, em Teresina. Naquele período, Haran e Danillo negociavam a venda de parte da rede de postos HD para empresários ligados à distribuidora Copape. Já em dezembro, mensagens apontam discussões sobre o andamento das negociações, com resposta direta de Nogueira a atualizações compartilhadas no grupo.

Prints de conversas obtidos pela polícia e publicados pela revista Piauí

Os registros também revelam novas interações no início de 2024. Em janeiro, o senador sugeriu um encontro em um hotel, prontamente aceito pelos demais integrantes. De acordo com a polícia, há indícios de que reuniões presenciais ocorreram, embora nem todas tenham confirmação oficial.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras identificaram movimentações envolvendo empresas ligadas ao grupo investigado e ao senador.

Entre os apontamentos, há transferências consideradas atípicas, sem justificativa econômica clara, incluindo repasses entre empresas associadas ao esquema e uma companhia vinculada a Nogueira. Parte dessas transações teria sido realizada por meio de uma instituição de pagamento citada na investigação.

O portal ICL Notícias já havia informado que, em fevereiro, o senador Ciro Nogueira se reuniu com Haran e Danillo no aeroporto de Brasília. A reportagem inclui uma foto em que os três aparecem conversando — imagem que também foi posteriormente obtida pela revista Piauí — e relata que eles seguiram juntos em voo para Teresina.

O ICL Notícias revelou a existência de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontando movimentações financeiras envolvendo uma empresa do senador, a Ciro Nogueira Agropecuária e Imóveis. Segundo o documento, a companhia recebeu R$ 63,9 mil da Pima Energia Amizade em 2025.

A Pima foi criada por Beto Louco e Primo para administrar postos de combustíveis adquiridos de Haran e Danillo no Piauí. Ainda conforme o Coaf, a empresa ligada ao senador também realizou uma transferência de R$ 25,1 mil para a HD Petróleo Uruguai Ltda, um dos postos pertencentes aos dois empresários.

Apesar das menções, Ciro Nogueira não é alvo da operação. Em nota enviada à revista, sua assessoria afirmou que ele não tem envolvimento com práticas ilegais e que qualquer tentativa de vinculá-lo ao caso é infundada. Outros parlamentares, como Júlio Arcoverde, também aparecem nos materiais apreendidos, mas igualmente não são investigados.

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS