Nesta quarta-feira (16), em um momento marcado pela tensão nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, reforçaram a união entre os poderes para defender os interesses nacionais.
Davi Alcolumbre destacou a unidade do Parlamento em torno da defesa do país. Segundo ele, “o Parlamento Brasileiro está unido em torno da defesa dos interesses nacionais” e afirmou que o Poder Legislativo, composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, está preparado para proteger a soberania, os empregos e os empresários brasileiros que geram riqueza para o Brasil.
Alcolumbre também ressaltou a importância da liderança do Poder Executivo no processo diplomático: “tenho convicção também que esse processo tem que ser liderado pelo Poder Executivo, essa relação diplomática internacional tem que ser feita pelo chefe de governo, pelo chefe de Estado”. Ele elogiou o papel do vice-presidente Geraldo Alckmin nessa missão, afirmando que o presidente Lula acertou ao escolher Alckmin para conduzir as negociações com o governo americano.
“Quero fazer um registro, presidente Alckmin, da satisfação de ter o vice-presidente do Brasil liderando esse processo”, afirmou Alcolumbre, ressaltando que a coordenação entre os poderes é fundamental para garantir que o Parlamento esteja à disposição do governo durante as tratativas.
O presidente do Senado destacou ainda o momento delicado enfrentado pelo país: “vejo nesse momento de agressão ao Brasil e aos brasileiros, isso não é correto e temos que ter firmeza, resiliência e tratar com serenidade essa relação, buscar estreitar os laços e fazer as coisas acontecerem defendendo os brasileiros”.
Por sua vez, Geraldo Alckmin ressaltou a importância da unidade nacional frente à crise e a proteção da indústria e dos empregos brasileiros. Ele lembrou o apoio do Parlamento, especialmente na aprovação da Lei da Reciprocidade, que visa garantir proteção comercial ao país. “Estamos aqui prontos para estar na retaguarda do poder executivo para que as decisões que forem necessárias, a ação do Parlamento, nós possamos agir com rapidez, com agilidade para que o Brasil possa sair mais forte dessa crise.”
Alckmin destacou que “o Brasil não pode ser aqui levado a situações que decisões externas venham a interferir na nossa soberania” e que o país possui grande relevância no cenário internacional. “Com união, com compromisso e muita responsabilidade nós iremos superar esse momento protegendo todos os brasileiros e brasileiras.”
O vice-presidente também criticou as tarifas impostas pelos EUA, classificando a medida como equivocada. “Na questão comercial, entendemos que é um equívoco do governo americano, porque eles têm superado na balança comercial com o Brasil, dos dez produtos que mais exportam, oito não pagam nada, nada de imposto e a tarifa média de importação é 2,7%.” Ele garantiu que o governo brasileiro trabalhará para reverter a situação, que considera “totalmente inadequada” e “injusta”.
Explicando o contexto
O chamado “tarifão” refere-se à alta tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros, medida que tem impacto direto na competitividade das exportações brasileiras no mercado americano. Essa imposição foi uma resposta política em meio ao contexto da situação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Em resposta, o Brasil conta com a Lei da Reciprocidade, aprovada recentemente por unanimidade no Senado e na Câmara, que autoriza o governo a aplicar medidas compensatórias contra países que adotem barreiras comerciais injustas contra produtos brasileiros.