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Deputados pedem suspeição de presidente da CPMI do INSS

Por Cleber Lourenço

Um novo elemento de tensão entrou na reta final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Deputados do PT protocolaram nesta terça-feira (24) um pedido formal para afastar o senador Carlos Viana (Podemos-MG) da presidência do colegiado, alegando quebra de imparcialidade e comprometimento da condução dos trabalhos.

A medida foi apresentada por meio de uma exceção de suspeição pelos deputados Pedro Uczai (PT-SC), Rogério Correia (PT-MG), Alencar Santana (PT-SP) e Lindbergh Farias (PT-RJ). No documento, os parlamentares sustentam que fatos surgidos ao longo da apuração colocaram Viana em posição incompatível com a função de dirigir a comissão.

Segundo os autores, o problema não está necessariamente em um ato isolado, mas no conjunto de circunstâncias que colocariam o presidente da CPMI dentro do próprio ambiente investigado. “Perdeu as condições políticas e legais de continuar à frente dos trabalhos de investigação”, afirmam.

O argumento central da peça é direto: não é preciso provar benefício pessoal ou irregularidade concreta para justificar o afastamento. Basta a existência de elementos que comprometam a aparência de imparcialidade — um critério clássico em funções de natureza investigativa.

É nesse ponto que o pedido ganha densidade política. Os deputados apontam que a investigação passou a alcançar um núcleo de relações que se cruza com o entorno político e religioso de Carlos Viana. Nesse eixo, aparecem nomes e instituições como Igreja Batista da Lagoinha, Fundação Oásis, André Valadão, Nikolas Ferreira e personagens diretamente ligados ao caso Banco Master, como Fabiano Zettel e Daniel Vorcaro.

A leitura dos parlamentares é de que essa interseção não é periférica, mas estrutural — e suficiente para comprometer a condução da comissão. “A presença de circunstâncias objetivas aptas a comprometer a aparência de imparcialidade” é citada como base do pedido.

O documento também incorpora um fator externo que eleva a pressão sobre o presidente da CPMI: a decisão do ministro Flávio Dino que determinou que Viana preste esclarecimentos sobre repasses de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares à Fundação Oásis, entidade ligada à Igreja da Lagoinha.

Para os deputados, o episódio não é isolado. Ele reforça o argumento de que o presidente da comissão está inserido no mesmo campo de relações que passou a ser alvo da investigação.

Outro ponto sensível é a atuação pública de Viana em defesa de figuras políticas relacionadas ao caso. Para os autores do pedido, esse tipo de posicionamento rompe a expectativa de neutralidade e indica alinhamento prévio em uma investigação que exige distanciamento institucional.

A peça também aponta episódios ocorridos dentro da própria CPMI como evidências de comprometimento da condução dos trabalhos. Entre eles, a gestão de requerimentos considerados estratégicos — especialmente os que envolvem Fabiano Zettel — e a contagem incorreta de votos em uma deliberação sobre quebra de sigilo.

“A suspeição não se projeta apenas em tese sobre atos futuros, mas já incide concretamente sobre a forma de condução dos trabalhos”, afirmam os parlamentares.

O timing do pedido não é casual. A CPMI se aproxima da fase final, com disputas abertas sobre prorrogação dos trabalhos, definição de prazo, análise de requerimentos pendentes e elaboração do relatório final.

Nesse cenário, o comando da comissão ganha peso decisivo. “A Presidência exerce influência decisiva sobre o desfecho institucional da investigação”, registra o documento.

É justamente esse ponto que sustenta o pedido de afastamento imediato. Para os autores, a permanência de Viana neste momento ampliaria o risco de contaminação do processo e comprometeria a credibilidade do resultado final.

O requerimento pede que o Congresso reconheça a suspeição, afaste o senador da presidência e permita que os membros da CPMI elejam um novo comando.

Na avaliação dos deputados, a medida é necessária para garantir que a investigação sobre fraudes em descontos aplicados a aposentados e pensionistas seja conduzida com independência e sem interferências.

Sem essa mudança, argumentam, o relatório final da comissão pode nascer sob contestação — não pelo conteúdo, mas pela forma como foi produzido.

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