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GP de São Paulo Movimenta Negócios e Reforça o Brasil no Mapa da Fórmula 1

Sérgio Soares/RF1

Gabriel Bortoleto: piloto brasileiro faz sua estreia em Interlagos pela Sauber.

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O Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1 chega à sua 21ª etapa da temporada e movimenta, desde as primeiras horas da sexta-feira, 7, o paddock, os bastidores e a cidade. Em um fim de semana de arquibancadas lotadas e atenções voltadas ao brasileiro Gabriel Bortoleto, que faz sua estreia em casa pela Sauber, Interlagos volta a ser o centro de uma engrenagem que envolve esporte, imagem e negócios.

Na manhã desta sexta-feira, o prefeito Ricardo Nunes apresentou oficialmente ao CEO da Fórmula 1, Stefano Domenicali, as melhorias realizadas no autódromo desde 2021, dentro de um projeto que já soma mais de R$ 500 milhões em investimentos públicos. O impacto econômico deve ficar na casa dos R$ 2 bilhões, segundo dados da SPTuris (São Paulo Turismo).

“Começamos em 2022 dentro de um grande plano de recuperação econômica e continuaremos a investir. As pessoas querem estar em Interlagos, não temos mais agenda disponível no autódromo, tamanha é a procura por atividades aqui”, afirmou Nunes. Domenicali elogiou os avanços estruturais, mas chamou atenção para o desafio do acesso ao circuito, sugerindo a construção de novas passarelas para melhorar o deslocamento do público.

O negócio da Fórmula 1

Entre os nomes que traduzem o peso institucional e econômico do evento está Fabiana Ecclestone, vice-presidente da FIA para Esportes na América do Sul. Primeira mulher na história da entidade a ocupar o cargo, ela está há quatro anos à frente de uma agenda voltada ao desenvolvimento do automobilismo no continente, em parceria com o presidente Mohammed Ben Sulayem, o primeiro não europeu a liderar a federação.

Neste GP de São Paulo, Fabiana faz um balanço positivo dos quatro anos de mandato, marcados pela criação de programas de base, iniciativas de inclusão e capacitação técnica em toda a região. Sob sua gestão, a FIA para a América do Sul implementou projetos que ampliaram o alcance do automobilismo — de campeonatos de eSports e programas educacionais a ações voltadas à segurança e à diversidade.

Roosevelt Cassio

Fabiana Ecclestone, vice-presidente da FIA para Esportes na América do Sul.

Com uma trajetória de 25 anos dedicada ao GP do Brasil, Fabiana começou contando ingressos e chegou ao posto de diretora de marketing, antes de assumir uma posição executiva global na FIA. Essa vivência faz dela uma das vozes mais experientes sobre o evento. “É um trabalho que dura o ano todo. O público vê glamour, mas o evento é também uma grande operação comercial. Muitos acordos de longo prazo são fechados aqui, em uma conversa no Paddock Club ou em um café entre voltas de pista”, disse em entrevista à Forbes Brasil.

Ela lembra de exemplos práticos de como o GP se tornou uma plataforma de negócios. “Tinha uma empresa de tintas que comprou um camarote inteiro para trazer seus distribuidores. Não era uma marca conhecida do público, mas aquele final de semana gerou contratos que mudaram o negócio da companhia. O GP tem esse poder de aproximação — o cliente que não te atendia por meses vem, se encanta, e a conversa flui.”

Para Fabiana, esse é o diferencial de um evento que vai muito além do esporte. O GP de São Paulo é um espaço onde executivos, marcas e governos se encontram para discutir projetos e parcerias, e onde o automobilismo funciona como um catalisador de negócios e visibilidade. “É um ambiente que conecta o Brasil com o mundo, e cada vez mais vemos empresas entendendo o valor estratégico de estar aqui, mesmo fora da pista. A Fórmula 1 é um negócio global que movimenta tecnologia, sustentabilidade e imagem — e Interlagos está inserido nesse contexto.”

Fabiana também analisa o efeito simbólico e comercial da presença de Gabriel Bortoleto na Fórmula 1. Para ela, a volta de um piloto brasileiro ao grid transforma o ambiente do evento e desperta um novo interesse do mercado. “A presença de um competidor nacional muda o espírito do GP e atrai o interesse das marcas. Um convite para o autódromo pode render um contrato de dez anos. Esse é o valor do relacionamento que o esporte proporciona”, afirmou.

Sérgio Soares/RF1

Max Verstappen.

Hoje, radicada na Suíça, Fabiana segue no cargo de vice-presidente da FIA e fomenta projetos voltados à inclusão e à formação de base, além de iniciativas como o FIA Girls on Track, que incentiva meninas a se envolverem em diferentes áreas do automobilismo. “Sempre fiz meu trabalho com convicção, sem deixar que me dissessem que eu não podia. Agora percebo que contar a minha história inspira outras mulheres a acreditarem que também podem ocupar esses espaços”, completou.

Além da atuação institucional, Fabiana também é empresária. Em Amparo, interior de São Paulo, mantém a produção do Celebrity Coffee, marca de cafés especiais servida no Paddock Club da Fórmula 1.

Ação na pista

Na pista, a sexta-feira em Interlagos foi repleta de ação, porém os carros da McLaren – campeã de construtores de 2025 – dominaram as ações. Pela manhã, Lando Norris ponteou a sessão única de treinos livres para este GP de São Paulo à frente de seu companheiro de equipe Oscar Piastri.

Na classificação para a corrida sprint, o britânico – atual líder do campeonato de pilotos – foi também o mais veloz. O italiano Andrea Kimi Antonelli, da Mercedes, ficou com a segunda posição, e o australiano Piastri – a um ponto de Norris no mundial – na terceira colocação.

Vencedor em Interlagos no ano passado, Max Verstappen foi discreto e sairá de sexto. Já Gabriel Bortoleto, primeiro brasileiro a correr em uma prova da Fórmula 1 no Brasil desde Felipe Massa em 2017, foi o quinto no treino livre, mas na classificação da sprint foi apenas o 14º colocado.

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