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História da música “Meu Ébano”, sucesso de Alcione

A cantora maranhense Alcione completou 78 anos no último dia 21 de novembro e o compositor carioca Paulinho Rezende completa 76 anos hoje, dia 25. Para homenageá-los, trouxemos a história de um dos maiores sucessos da carreira da Marrom, composta por Paulinho em parceria com Nelson “Neneo” de Morais: “Meu Ébano”.

Ideia inusitada

“Meu Ébano” nasceu de uma ideia inusitada de Neneo, enquanto tocava violão no quarto de seus filhos, que queriam dormir e de início acharam que a ideia do pai não era boa. O compositor  contou então com a ajuda do parceiro Paulinho Rezende para desenvolver uma letra para a melodia que tinha criado. 

O processo criativo não foi fácil, e o maior desafio foi encontrar uma rima para “chapéu”:

“Quando a gente começou: ‘É, você é um negão de tirar o chapéu’. E a rima? Não tinha! Era nenéu, era céu, era mais nada. Aí ele colocou “créu”, mas para tirar o ‘créu’ porque a gente não gostava dessa palavra”, contou Neneo em uma entrevista ao Globo Repórter, da TV Globo, no fim de 2024.

Mas não teve jeito. Eles não acharam nenhuma palavra melhor e a música ficou assim mesmo!

Neneo – que achava Alcione incrível (e quem não acha, não é mesmo?!) – sempre teve o sonho de ser gravado pela cantora. Um dia, o compositor foi encontrá-lana saída de um  show, no Teatro Rival, e lhe entregou uma fita com a canção. 

“Beijei a fita três vezes, aí dei para ela. E vim rezando”, conta. Já Alcione relembra o que aconteceu quando chegou em casa depois do encontro com Neneo e colocou a fita para tocar pela primeira vez: “Olha, eu achei ‘créu’ o máximo”! Ela ligou para o compositor e disse: “Olha, eu adorei sua música.Vou gravar e vai ser o maior sucesso!’”.

Acontece que – quando a cantora levou a música para seu diretor musical, a reação não foi positiva. Na entrevista, a cantora contou o que ele falou: “‘Como você vai cantar uma palavra dessa? Créu? Você não pode’. Ah, não deu outra. Falei: ‘Quem disse que eu não posso? Você não sabe das coisas que eu sou capaz!’”.

E assim fez: gravou a canção em seu álbum “Uma Nova Paixão”, de 2005, e – no mesmo ano – ela entrou para a trilha sonora da novela “América”, da TV Globo, embalando as aventuras do personagem Feitosa, vivido por Ailton Graça, projetando ainda mais a música ao Brasil inteiro.

Alcione. Foto: Vinícius Mochizuki / Divulgação.

Sobre Alcione

Alcione é uma das maiores e mais importantes vozes da nossa história!

Com mais de 50 anos de carreira, mais de 40 álbuns lançados e mais de 8 milhões de discos vendidos pelo mundo, a cantora, compositora e multi-instrumentista maranhense é conhecida, prestigiada e premiada no Brasil e no exterior (já tendo cantado em mais de 30 países).

Com seu timbre inconfundível, voz potente, carisma gigantesco, presença de palco marcante e sucessos que vão dos sambas às canções românticas, uma das nossas Rainhas do Samba eternizou seu nome em muitas páginas da história da música popular, sendo premiada com honrarias nacionais e internacionais, como a Ordem do Rio Branco (a mais alta comenda do Brasil e A Voz da América Latina (concedido pela ONU).

Nascida em São Luiz do Maranhão e filha de músico, Alcione aprendeu, ainda criança, a tocar diversos instrumentos de sopro, como trompete e clarinete.

Aos 12 anos, fez sua primeira apresentação, cantando na orquestra regida por seu pai. 

Formou-se professora primária em sua cidade e chegou a lecionar por dois anos, quando foi demitida por ensinar seus alunos a tocar trompete, querendo passar adiante o aprendizado que recebeu.

Depois disso, passou a dedicar-se à música de forma mais intensa e exclusiva, apresentando-se na TV do Maranhão e em bares e boates de seu estado, até que – em 1967 – mudou-se para o Rio de Janeiro, onde iniciou definitivamente a sua carreira. 

Já no Rio, Alcione começou cantando na noite e logo destacou-se ao vencer as duas primeiras eliminatórias do programa A Grande Chance, de Flávio Cavalcanti. Em seguida, foi contratada para se apresentar na TV Excelsior, no programa “Sendas do Sucesso”. 

Depois de seis meses na emissora, a cantora fez uma turnê por quatro meses pela América Latina, sendo a primeira vez que saía do Brasil. Após ter feito excursão também por países da América do Sul, Alcione recebeu uma proposta de turnê na Itália, e foi morar na Europa por dois anos, voltando ao Brasil em 1972, quando sua carreira despontou de vez.

Ainda em 1972, conheceu o cantor Jair Rodrigues, que a levou para a gravadora PolyGram, para gravar o seu primeiro compacto simples.

A cantora lançou o seu primeiro álbum em 1975 – A Voz do Samba, e – desde então – não parou mais de lançar um sucesso atrás do outro. O disco de estreia, já trouxe o imenso sucesso “Não Deixe o Samba Morrer” (de Édson Conceição e Aloísio), um dos maiores hits de sua carreira.

Em 1977, o álbum “Pra Que Chorar” vendeu 400 mil cópias, consagrando a cantora nacionalmente.

Alcione visitou a quadra da Estação Primeira de Mangueira pela primeira vez em 1974 e logo foi convidada a desfilar. Na concentração, a ausência de um destaque levou a estreante ao alto de um carro alegórico. Desde então, a cantora é membro destacado da escola.

Em 1987, a cantora fundou a escola de samba mirim da MangueiraGrêmio Recreativo Cultural Mangueira do Amanhã, da qual é Presidente de Honra – e o Centro de Arte da Mangueira (Mangueirarte)

Em 1989, a Marrom participou – ao lado de João Nogueira,Clara Nunes,Martinho da Vila,Dona Ivone Lara e tantos outros sambistas – da fundação do Clube do Samba.

Outros sucessos de Alcione são:

  • Você Me Vira A Cabeça (Me Tira Do Sério) (de Chico Roque e Paulo Sérgio Valle)
  • A Loba (também de Paulinho Rezende, com Juninho Peralva)
  • Estranha Loucura (de Michael Sullivan e Paulo Massadas)
  • Juízo Final (de Nelson Cavaquinho e Élcio Soares)
  • Gostoso Veneno (de Wilson Moreira e Nei Lopes)
  • Sufoco (de Chico da Silva e Antonio José)
  • Depois do Prazer (de Chico Roque e Sérgio Caetano)
  • Faz Uma Loucura Por Mim (de Chico Roque e Sérgio Caetano)

Alcione é uma das atrações confirmadas para Festival Novabrasil 2025, que acontecerá no dia 29 de novembro, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. Já garantiu o seu ingresso para essa grande festa da música brasileira? Clique aqui!

Um dos compositores de “Meu Ébano”, Paulinho Rezende | Imagem: Reprodução

Sobre Paulinho Rezende

O compositor carioca Paulinho Rezende possui diversos sucessos de sua autoria na música popular brasileira.

Nascido no Rio de Janeiro em 1949, sua primeira composição de sucesso foi gravada justamente por Alcione, no seu disco “A Voz do Samba”, de 1975: “O Surdo” (uma parceria con Totonho). 

No ano ano seguinte, Alcione gravou outras composições suas:

  • Retalhos (com Paulo Debétio)
  • Canto do Mar (com Totonho)
  • Lá vem Você (com Zayrinha e Totonho)
  • A Morte de um Poeta (com Totonho), que deu nome ao disco da cantora

Em 1977 e 1978, a Alcione também gravou suas canções:

  • Recusa (com Paulo Debétio)
  • Corrente de Barbante
  • Solo de Pistom (com Totonho)
  • Seu Rio, Meu Mar (com Totonho)

Em 1978, Leci Brandão interpretou “Metades” (com Paulo Debétio), música que deu título ao disco da sambista.

Em 1979, Alcione gravou com grande sucesso a música “Menino sem Juízo”, de Paulinho Rezende em parceria com Chico Roque. 

No ano de 1980, em seu disco “E Vamos à Luta”, Alcione interpretou “Não me Fale de Flores” (parceria com Chico Roque).

Emílio Santiago, em 1982, interpretou com grande sucesso “Pelo amor de Deus” (parceria de Paulinho com Paulo Debétio). E, no ano seguinte, Beth Carvalho gravou “Chave do perdão” (parceria sua com Everaldo Cruz), no seu álbum “Suor no rosto”.

O músico Agepê gravou, em 1985, “Batuque de Semba”, música de Paulinho Rezende em parceria com Alex e Romildo

No ano seguinte, Wando gravou – de sua autoria – “Estrela Veja” em parceria com Paulo Debétio. E – em 1988 – interpretou “Bailarina” (também parceria com Paulo Debétio).

Em 1989, Elba Ramalho incluiu no disco “Popular Brasileira”, a música “Cheiro Moreno”, de Paulinho em parceria com Chico Roque.

Em 1990, Zeca Pagodinhointerpretou ”Seu balancê” (parceria com Toninho Gerais) no disco “Zeca Pagodinho Ao Vivo”.

No ano 2002 o grupo Art Popular no álbum “Planeta Pagode”, interpretou “Tá Doendo Demais essa Saudade”, de sua autoria em parceria com Chico Roque.

Esses são apenas alguns dos sucessos compostos por Paulinho Rezende! 

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