Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

A música como contadora de história do audiovisual brasileiro

Todas as sextas, no jornal NOVA MANHÃ e no programa RADAR, entro no ar com um boletim super charmoso chamado SEXTOU. A partir desta semana, desdobro essa ‘coluninha radiofônica” num texto aqui para o site porque afinal tudo está conectado.

Estamos todos muito felizes pelo sucesso do cinema nacional. Estamos cansados de saber que a cultura brasileira é nosso maior soft power. E a música sempre foi uma das grandes contadoras de histórias do audiovisual brasileiro. Às vezes, ela fala até antes do personagem abrir a boca. Essa música na voz do Tremendão Erasmo Carlos que você está ouvindo ao fundo da minha fala, nos remete automaticamente ao filme ganhador do Oscar 2025, Ainda Estou Aqui.

Em novelas, filmes e séries, a trilha sonora não só acompanha a narrativa — ela expande o sentido, cria memória afetiva e ajuda a levar a nossa música para muito além das fronteiras do país.

Quem nunca ouviu “O Bêbado e a Equilibrista”, composição de João Bosco e Aldir Blanc, imortalizada por Elis Regina, e foi imediatamente transportado para o clima político e emocional da minissérie Anos Rebeldes?

E essa música que você ouve agora? “Dancin’ Days”, com As Frenéticas, que não só embalou a novela de mesmo nome, como ajudou a apresentar ao mundo uma imagem urbana, dançante e moderna do Brasil no fim dos anos 1970. As novelas sempre foram uma vitrine poderosa da nossa música.

“Vale Tudo” apresentou canções que atravessaram gerações; Roque Santeiro eternizou vozes e melodias; O Clone ampliou o diálogo da MPB com sonoridades árabes; e Avenida Brasil mostrou como o popular, o eletrônico e o pop internacional podiam conviver na mesma narrativa.

Muitas dessas trilhas viajaram o mundo junto com as novelas exportadas, fazendo da música brasileira um cartão de visitas emocional.

No cinema, o caminho é parecido. Uma boa trilha ajuda a contar a história de um país. E é exatamente isso que acontece em O Agente Secreto, novo filme de Kleber Mendonça Filho, que já está fazendo história dentro e fora do país. A trilha do filme que tem Wagner Moura no papel principal traz o frevo como protagonista. Mais do que pano de fundo, o ritmo pernambucano aparece como força narrativa, identidade, pulsação política e cultural. O frevo ali não é só tradição: é movimento, urgência, contemporaneidade.

E talvez esse seja um dos maiores poderes das trilhas sonoras: elas nos convidam a viajar pela cultura popular brasileira, mas sempre em diálogo com o presente.

Quando a música encontra a imagem certa, ela ganha novas camadas — e o Brasil se reconhece ali. Porque, no fim das contas, ouvir uma trilha sonora é também ouvir a história viva de um país.

Siga a Novabrasil nas redes

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS