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 As 10 maiores obras de Erico Verissimo

 

Hoje, 17 de dezembro, seria aniversário de um dos maiores romancistas do século XX e um dos mais importantes nomes da literatura brasileira: o escritor Erico Verissimo. Para homenageá-lo, faremos um passeio por sua obra e vida, listando suas 10 obras mais importantes.

Com uma prosa simples e de fácil leitura, seu trabalho literário é frequentemente associado à Geração de 30 do Modernismo Brasileiro,  ou à segunda fase do Modernismo no Brasil, com forte presença de regionalismo, narrativa realista e crítica social. Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Verissimo transitou entre romances urbanos, histórias históricas e até elementos de realismo fantástico, sempre com grande sensibilidade humana e narrativa envolvente.

Sobre Erico Verissimo

Nascido em 1905, na cidade Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, em uma família com ascendência portuguesa, Erico Verissimo cresceu em um ambiente rico em música e livros: seu pai possuía uma ampla biblioteca (com mais de 2 mil livros) e o gramofone e os discos eram sua companhia constante.

Por volta de 1914, com quase dez anos, Erico criou uma revista, chamada “Caricatura”, na qual fazia desenhos e escrevia pequenas notas. Aos 13 anos, já lia autores nacionais, como Aluísio Azevedo e Joaquim Manuel de Macedo, e estrangeiros, como Walter Scott, Émile Zola e Fiódor Dostoiévski.

Trabalhou como balconista no armazém e no Banco Nacional do Comércio e – durante esse tempo – transcrevia obras de Euclides da Cunha e de Machado de Assis, dentre outros escritores, e tomou gosto pela música lírica.

Em 1926, Erico Verissimo se tornou sócio da Farmácia Central da cidade, junto com um amigo de seu pai, mas o novo empreendimento faliu em 1930, deixando uma dívida que só conseguiria liquidar dezessete anos depois. Além de farmacêutico, Erico também trabalhou como professor de literatura e língua inglesa à época.

Erico Verissimo tomando sopa na casa da Rua Felipe de Oliveira (1972) / Imagem: Acervo IMS

Em 1929, Erico publicou seu primeiro texto: “Chico: um Conto de Natal”, na revista mensal “Cruz Alta em Revista”. Em seguida, enviou os seus contos “Ladrão de Gado” e “A Tragédia dum Homem Gordo” para a Revista do Globo, e o jornal Correio do Povo publicou o seu conto “A Lâmpada Mágica”.

Desempregado após a falência de sua farmácia, em dezembro de 1930, Verissimo mudou-se para Porto Alegre, disposto a dedicar-se de vez à literatura e viver dos seus escritos.

Na capital gaúcha, rapidamente estabeleceu vínculos com nomes importantes da cena literária — entre eles Mário Quintana, Augusto Meyer e Guilhermino César — e, em 1931, foi contratado como secretário de redação da Revista do Globo. Essa experiência não só consolidou sua carreira editorial, como também lhe rendeu estabilidade financeira e o colocou em contato com as principais correntes literárias do Brasil da época.

Para complementar o orçamento da Revista do Globo, Verissimo começou a traduzir livros do inglês para o português e a colaborar para as edições dominicais dos jornais Diário de Notícias e Correio do Povo. Promovido a diretor editorial da revista em 1932, Erico começou a indicar mais livros estrangeiros para tradução e publicação.

E é aqui que começamos a nossa lista com as 10 maiores obras de Erico Verissimo!

1 – Fantoches

Ainda em 1932, Verissimo publicou sua obra de estreia, “Fantoches”, uma coletânea de contos, em sua maioria na forma de pequenas peças de teatro. Contudo, as vendas do livro não foram boas, e um incêndio destruiu o local onde estavam armazenados os exemplares restantes.

Em 1972, na comemoração dos quarenta anos de lançamento de seu primeiro livro, Erico relançou “Fantoches”, com desenhos e notas de sua autoria.

2 – Clarissa

Em 1933, Erico Verissimo publicou o seu primeiro romance: “Clarissa”, cujos sete mil exemplares foram vendidos em cinco anos. Conta o despertar de uma adolescente para a vida, seus sonhos e desilusões.

A obra integra a fase inicial do autor, voltada para a vida urbana e explora relações humanas, conflitos interiores e as contradições da sociedade brasileira do início do século XX. Em 1935, a personagem principal do livro deu nome à primeira filha do escritor. A personagem aparece, ainda, em mais três romances do autor.

Em 1936, Erico publicou dois romances que eram continuações de “Clarissa”: “Música ao Longe”, “Um Lugar ao Sol”.

3 – Música ao Longe

A obra retrata a decadência econômica e moral da rica e tradicional família Albuquerque sob o ponto-de-vista da jovem professora Clarissa, personagem do romance homônimo de Erico.

Em “Música ao Longe”, a jovem, apaixonada pelo primo Vasco, dá os primeiros passos em direção à vida adulta e à maturidade. O título do livro remete aos sentimentos de Clarissa, que são como uma “música ao longe”, pois ela não tem certeza se eles são mesmo verdadeiros.

O livro foi vencedor do “Prêmio de Romance Machado de Assis”.

4 – Um Lugar ao Sol

Também de 1936, esta obra reúne personagens de romances anteriores e aprofunda seus conflitos interiores e sociais. Narra seus sonhos, suas lutas e suas frustrações, e critica as tradições políticas do interior do Rio Grande do Sul.

Com forte crítica às tradições e expectativas da sociedade gaúcha da época, o livro revela a habilidade de Verissimo em retratar vidas complexas e humanas.

Sobre o livro, disse o próprio autor: “Considero o elenco humano que povoa este livro o melhor de toda a minha obra, com exceção talvez de ‘O Tempo e o Vento’. Escrevi sobre essa gente com tanta afeição e interesse, com tamanha fé na sua existência, que acabei cometendo o pecadilho de todo o pai vaidoso para qual tudo quanto os filhos dizem e fazem merece ser contado ao mundo.”.

Ainda em 1936, o escritor criou – na Rádio Farroupilha – um programa infantil, “O Clube dos Três Porquinhos”, que saiu do ar quando o Estado Novo estava prestes a submetê-lo ao departamento de censura.

5 – Caminhos Cruzados

O segundo romance de Erico Verissimo, “Caminhos Cruzados”, foipublicado em 1935, chegou a ser considerado subversivo pela Igreja Católica e pelo Departamento de Ordem Pública e Social, levando o autor a ser interrogado pela polícia.

Inspirado no romance “Counterpoint” (1930), do inglês Aldous Huxley, o livro introduziu a técnica do contraponto na literatura brasileira, segundo alguns críticos. Essa técnica, importada da música, consiste em uma narrativa simultânea e fragmentada; várias histórias, ou fragmentos da vida, independentes entre si.

Trata-se de um romance urbano, que conta uma história coletiva, fazendo uma abordagem crítica da sociedade brasileira, mostrando o enorme contraste entre a riqueza e a pobreza e expondo fielmente os problemas em certas camadas sociais.

O livro recebeu o Prêmio Graça Aranha.

6 –  Olhai os Lírios do Campo

Em 1938, Erico Verissimo publicou a sua primeira obra de repercussão nacional e internacional e o romance que o consagrou para sempre no cenário literário “Olhai os Lírios do Campo”.

Várias edições se esgotaram em poucos meses. Segundo o próprio autor, o sucesso foi tão grande que teve a força de arrastar consigo os romances que publicara antes em modestas tiragens: “Posso afirmar que só depois do aparecimento de ‘Olhai os Lírios do Campo’ é que pude fazer profissão da literatura.”.

Baseada num trecho do “Sermão da Montanha” – discurso de Jesus Cristo que pode ser lido no “Evangelho de Mateus” e no “Evangelho de Lucas” – a obra explora conflitos sociais, amorosos e existenciais, e narra a trajetória de um homem dividido entre o amor e a ambição, a consciência e as alianças sociais.

Erico Verissimo então assumiu a função de conselheiro literário da Editora Globo, selecionando mais escritores estrangeiros para serem traduzidos e participando da criação das coleções “Nobel” e “Biblioteca dos Séculos”, que tiveram grande sucesso.

Em 1940, depois do sucesso de “Olhai os Lírios do Campo”, Erico publicou “Saga”, considerado pelo próprio autor como seu pior romance. O livro é uma reflexão sobre a guerra.

7 – O Resto é Silêncio 

No início dos anos 40, o escritor presenciou um incidente real que o inspirou a escrever seu livro seguinte: em um passeio pela Rua da Praia com seu irmão, Erico testemunhou a queda de uma mulher do alto de um prédio. Dois anos depois, publicou o romance “O Resto É Silêncio”, cujo ponto de partida é o suicídio de uma mulher que se atira de um edifício.

Descrevendo as reações dessas pessoas antes e após o suicídio, Erico Verissimo analisa o comportamento humano, ao mesmo tempo que traça o perfil de uma época. O livro recebeu fortes críticas do clero.

Em 1943, o escritor se mudou com a família para os Estados Unidos, a convite do Departamento de Estado, para uma estadia de dois anos, durante os quais ministrou aulas de Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia em Berkeley. 

Erico também aceitou o convite porque estava descontente com o clima político no Brasil, que vivia a euforia da ditadura de Getúlio Vargas.

8 – O Tempo e o Vento

Foi a partir de 1947 que Erico Verissimo começou a escrever sua obra-prima, que trouxe sua consagração definitiva na história da literatura: a trilogia  monumental “O Tempo e o Vento”, publicada entre 1949 e 1957, e considerada um dos pilares da literatura brasileira do século XX.

A ideia inicial do escritor era reunir 200 anos da história do Rio Grande do Sul (de 1745 a 1945) em um único volume. Mas, no final, ele escreveu três volumes, totalizando 2,2 mil páginas. O primeiro volume, “O Continente”, foi publicado em 1949 e marca o momento mais importante da carreira de Verissimo. Deste livro saíram alguns personagens primordiais e bastante populares entre seus leitores, como Ana Terra e o Capitão Rodrigo Cambará.

Em seguida, vieram os volumes “O Retrato” (1951) e “O Arquipélago” (1962), a história mistura ficção e fatos históricos, criando um épico familiar e social que marcou a literatura brasileira, por meio das famílias Terra e Cambará.

9 – O Senhor Embaixador

Em 1965, Erico Verissimo publicou o romance “O Senhor Embaixador”, no qual reflete sobre os descaminhos da América Latina e o estado deplorável das republiquetas latino-americanas, corruptas, instáveis e ditatoriais. A história ocorre durante a Guerra Fria e relata também a influência dos Estados Unidos na política sul-americana, refletindo um posicionamento mais engajado e crítico do autor.

Ganhou com esse livro o Prêmio Jabuti, na categoria “Romance”.

10 – Incidente em Antares

Em 1971 é a vez do romance “Incidente em Antares”, em que Erico Verissimo traça um apanhado da história do Brasil desde os primeiros tempos, misturando elementos fantásticos com crítica política e social, relatando uma rebelião de cadáveres durante uma greve de coveiros na fictícia cidade de Antares.

Mortos que não foram sepultados voltam à cidade, revelando segredos e questionando o status quo, numa narrativa que satiriza a corrupção e as desigualdades do Brasil da época. 

Em 1973, Erico publicou o primeiro volume de “Solo de Clarineta”, sua segunda e ampliada autobiografia, que teve início em 1966, com o livro “O Escritor diante do Espelho”.

Erico Verissimo faleceu em 28 de novembro de 1975, em Porto Alegre, deixando um legado imenso e duradouro, não só na literatura brasileira, mas também na formação de leitores e escritores que encontraram em suas páginas uma forma singular de compreender o Brasil.

O escritor recebeu importantes reconhecimentos ao longo de sua carreira, como o Prêmio Machado de Assis (em 1954, pela Academia Brasileira de Letras, por sua obra completa) e o título de Doutor Honoris Causa concedido por instituições estrangeiras.

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