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Bad Bunny revela que música central de ‘DeBÍ TiRAR MáS FOToS’ veio em sonho

Algumas músicas levam meses de estúdio, dezenas de versões, produtores brigando por créditos. Outras chegam às duas da manhã enquanto você dorme. Bad Bunny revelou à Vogue que “LO QUE LE PASÓ A HAWAii”, faixa anti-colonial que avisa sobre a perda da cultura porto-riquenha e que considera o coração de DeBÍ TiRAR MáS FOToS (2024), veio completa em sonho. “Acordei, lembro que eram duas da manhã, escrevi tudo no Notas do meu telefone e depois voltei a dormir”, contou Benito Martínez Ocasio sobre o processo criativo inusitado. A música que o rapper descreve como ponto de partida do álbum inteiro — incluindo “EoO”, faixa seguinte que é “verdadeiro perreo reggaeton dos anos 2000” — nasceu sem esforço consciente.

“LO QUE LE PASÓ A HAWAii” aborda a colonização e a gentrificação que ameaçam a identidade porto-riquenha, usando o Havaí como exemplo do que pode acontecer com Porto Rico se a exploração continuar. “Sempre senti que era o coração do disco, que é coisa inacreditável de dizer quando há tanta coisa acontecendo ao redor da música, mas é de onde tudo mais começa”, explicou Bad Bunny. A faixa estabelece o tom político e nostálgico que permeia DeBÍ TiRAR MáS FOToS, álbum que Benito descreveu antes de começar a trabalhar como “álbum onde você vai sentir falta de amor mas também de lugar”. A letra funciona como manifesto disfarçado de canção, alertando para um futuro distópico onde porto-riquenhos se tornam estrangeiros na própria terra, tema que ressoa profundamente em ilha devastada por turismo predatório e incentivos fiscais para ricos americanos.

Embora tenha pensado no álbum por longo tempo, Bad Bunny admitiu que mal conseguiu finalizá-lo antes da data de lançamento — e essa é sua forma típica de trabalhar. “Todos os meus álbuns eu terminei no dia anterior de saírem. É algo que tentei não fazer, mas é meu jeito”, revelou na mesma entrevista. O processo começou após Benito participar das Fiestas de la Calle San Sebastián, celebração tradicional porto-riquenha. “É realmente quando o projeto começou, mas em fevereiro já tinha que sair em turnê para Nadie Sabe Lo Que Va a Pasar Mañana. Fiz aquela turnê meio sem estar sentindo; queria ficar em Porto Rico para escrever e trabalhar nessas músicas que tinha na cabeça”, confessou.

DeBÍ TiRAR MáS FOToS estreou em #1 na Billboard 200, recebeu aclamação crítica universal e conquistou o Grammy de Álbum do Ano em 2026 — prêmio máximo da indústria musical. Ao receber o troféu, Bad Bunny teve momento de silêncio atordoado antes de subir ao palco para discurso emocionado.

Uma semana após a vitória no Grammy 2026, Bad Bunny subiu ao maior palco do entretenimento mundial: o intervalo do Super Bowl LIX em Nova Orleans. A performance histórica como primeiro artista latino a comandar sozinho o show do maior evento esportivo dos Estados Unidos incluiu várias faixas de DeBÍ TiRAR MáS FOToS, levando mensagens sobre Porto Rico, identidade e resistência para audiência estimada em mais de 100 milhões de pessoas. O show misturou celebração cultural com declaração política, transformando o intervalo de jogo de futebol americano em aula sobre história porto-riquenha através de elementos visuais.

Bad Bunny não é o primeiro artista a relatar que música veio em sonho. Além dele, Paul McCartney conta que acordou com a melodia de “Yesterday” na cabeça e Keith Richards criou o riff de “(I Can’t Get No) Satisfaction” dormindo.

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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.

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