Segundo dados do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), divulgado pelo MapBiomas, a Bahia ocupou a terceira posição no ranking nacional de áreas desmatadas no último ano, atrás apenas do Maranhão e do Piauí. Ao todo, mais de 110 mil hectares de vegetação foram extintos em território baiano ao longo de 2025. O levantamento indica que houve redução de 17% no desmatamento na Bahia em comparação com o ano de 2024, acompanhando a tendência nacional de queda. Em todo o país, a área devastada caiu 20%, ficando abaixo da marca de um milhão de hectares pela primeira vez desde o início da série analisada pelo estudo, em 1985.
Apesar da melhora nos números absolutos, a Bahia subiu no ranking nacional porque outros estados registraram reduções ainda maiores. Grande parte da pressão sobre a vegetação nativa está concentrada no oeste baiano, região inserida no Matopiba – área agrícola formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, conhecida pela expansão acelerada do agronegócio nas últimas décadas. Segundo o relatório, os estados do Matopiba, junto com o Mato Grosso, concentram mais de 63% de toda a área desmatada no Brasil.
Entre os municípios brasileiros com maior perda de vegetação em 2025, duas cidades baianas aparecem na lista das dez primeiras: Jaborandi, na sétima posição, e São Desidério, em décimo lugar. As duas cidades perderam juntas mais de 25 mil hectares de vegetação nativa no período analisado. O estudo também chamou atenção para o crescimento proporcional do desmatamento em Cocos e Baianópolis, também localizadas no oeste do estado.
Outro dado que acendeu alerta ambiental foi a situação da Área de Proteção Ambiental do Rio Preto, localizada entre os municípios de Formosa do Rio Preto, Santa Rita de Cássia e Mansidão. A unidade de conservação liderou o ranking nacional de áreas protegidas mais desmatadas em 2025, com mais de 7,7 mil hectares de vegetação perdidos, alta de 44% em relação ao ano anterior. O relatório ainda aponta que, entre 2019 e 2025, a Bahia acumulou mais de 1 milhão de hectares desmatados, sendo que mais da metade dessa área teve autorização oficial para supressão vegetal.