Apesar dos avanços na medicina e das campanhas de conscientização, o exame de toque retal ainda é cercado de tabu entre os homens. A resistência, segundo o urologista Jailton C. Araújo, está diretamente ligada a fatores culturais e à ideia equivocada de que o procedimento “fere” a masculinidade.
“Infelizmente, o tabu ainda está muito ligado a questões culturais e de masculinidade. Muitos homens associam o toque a algo constrangedor ou acreditam que o exame ‘fere’ sua virilidade. Isso é um equívoco. O toque retal é um procedimento rápido, indolor e que pode literalmente salvar vidas”, explica.
Para o médico, o humor pode ser um grande aliado na hora de abordar o tema. “O humor é uma ferramenta poderosa para quebrar barreiras. Quando tratamos o assunto de forma leve e próxima da realidade do homem, conseguimos abrir espaço para o diálogo e reduzir a resistência. O riso aproxima, e a informação transforma”, destaca.
O especialista lembra que o exame de toque continua sendo fundamental em muitos casos, pois permite avaliar aspectos da próstata que não aparecem em exames de sangue, como o PSA.
“O toque é apenas uma parte da avaliação. Hoje temos exames complementares, como a ressonância magnética e a dosagem de PSA, que ajudam bastante no rastreamento. O ideal é que o médico e o paciente conversem sobre o melhor método conforme o histórico familiar e o perfil individual.”
Segundo o urologista, a postura do profissional é essencial para deixar o paciente mais à vontade. “A consulta deve ser conduzida com empatia, respeito e clareza. Explicar cada etapa e desmistificar o exame são atitudes que reduzem o desconforto. Eu costumo dizer que é um exame técnico, rápido e que dura menos que um aperto de mão — mas com muito mais importância para a saúde dele.”
Ele reforça a relevância de superar o constrangimento e adotar o cuidado como prova de amor-próprio.
“Vergonha a gente supera; o câncer de próstata, nem sempre. Um exame que dura segundos pode representar décadas de vida. Cuidar da saúde é um ato de coragem, de amor-próprio e também de responsabilidade com quem a gente ama. Homem que se cuida vive mais e melhor.”
Vale salientar que o câncer de próstata é o tipo de câncer mais comum entre os homens brasileiros, atrás apenas do câncer de pele não melanoma.