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Criticado por atacar Bolsa Família, Luciano Huck diz que fala foi ‘tirada do contexto’

Depois da grande repercussão negativa das críticas que fez ao Bolsa Família no Fórum Esfera, no sábado (23), o apresentador Luciano Huck tentou amenizar a situação, dizendo que sua declaração foi divulgada fora de contexto.

Perguntado sobre o que achava da eficiência do Brasil, Huck respondeu que o país está muito ineficiente em todas as frentes.

“É a conversa de ontem. O prefeito da cidade de Senhor do Bonfim tem 56% da sua economia no Bolsa Família. O que acontece? Você não gera nenhum tipo de estímulo para que as famílias queiram sair do Bolsa Família. Na verdade, elas criam atalhos pra ficar no programa de distribuição de renda, de proteção social, ad eternum. A gente precisa criar um estímulo”, opinou.

O apresentador da Globo detalhou as críticas. “Como é que você motiva a família que precisa, que necessita do Bolsa Família, a ter vontade de querer sair desse programa… mobilidade social no Brasil? Pega estudo da OCDE: uma família no Brasil, pra sair da base da pirâmide social pra chegar na média da classe média brasileira, são nove gerações. Isso quer dizer que você não tem esperança, nem o seu filho, nem o seu neto, nem o seu bisneto vai ter uma vida melhor que a sua? Você fica sem estímulo. Essa não mobilidade social, essa loteria do CEP que a gente vive no Brasil, que o lugar em que você nasce determina o número de oportunidades que você vai ter na vida.”

Depois que suas declarações no Fórum Esfera passaram a circular nas redes sociais, Luciano Huck recebeu muitas críticas.

A jornalista e vencedora do Big Brother Brasil 16 (BBB), Ana Paula Renault, foi uma das que reagiu.

Ela escreveu em suas redes sociais: “O Bolsa Família talvez seja uma das políticas públicas mais mal interpretadas do Brasil. Durante anos, repetiram a ideia cruel de que o brasileiro recebe o benefício e ‘se acomoda’. Mas os dados contam outra história. Um estudo da FGV mostrou que, em dez anos, mais de 60% dos beneficiários conseguiram deixar o Bolsa Família. Entre os jovens que eram adolescentes quando recebiam o benefício, esse número passa de 70%, gente. Ou seja: os filhos do Bolsa Família, em grande parte, não continuam no Bolsa Família. E você pode pesquisar isso, viu?”.

Renault também disse que “criticar o Bolsa Família como se ele produzisse acomodação é ignorar evidência, ignorar desigualdade e, sobretudo, ignorar o Brasil real”

“O Brasil não precisa de menos proteção social. Precisa é de mais escola, mais emprego decente, mais qualificação, mais creche, mais oportunidade e menos preconceito fantasiado de opinião econômica”, afirmou.

Outro a rebater as falas do apresentador foi o professor João Cézar de Castro Rocha. “Uma série de lugares comuns que não resistem ao mínimo estudo sobre o Bolsa Família, como nós podemos ver a partir de um conjunto expressivo de estatísticas. Em primeiro lugar,  para cada um real investido no Bolsa Família há um retorno direto para o Produto Interno Bruto brasileiro de R$1,78. E é muito fácil entendera razão: para cada 1 real que alguém recebe, esse real entrará no consumo do mercado interno, não somente haverá a aquisição do valor, mas os impostos associados à aquisição de mercadorias e impostos sobre serviço. Portanto, o Bolsa Família dinamiza especialmente as economias locais, de pequenas cidades como a mencionada por Luciano Huck, que não tem ideia deste dado”, explicou.

Castro Rocha esclareceu ainda que nos primeiros dez meses de 2025, 2 milhões de pessoas deixaram o Bolsa Família voluntariamente, ou porque conseguiram emprego com carteira de trabalho e estabilidade ou porque a renda familiar superou o patamar mínimo necessário para receber o Bolsa Família. “Portanto, os dois argumentos do Luciano Huck são pura ignorância”, destacou o professor.

O apresentador recebeu críticas também de Nath Finanças, Kleber Mendonça Filho, Rick Azevedo, Jessé Souza e várias outras personalidades.

Diante da repercussão negativa, Huck postou um vídeo neste domingo (24) para tentar se defender.

Depois de alegar que a fala foi “tirada de contexto”, ele disse que é a favor de programas de proteção social, “que ajudam milhões e milhões de brasileiros”, mas defende “que esses programas sejam constantemente aperfeiçoados”.

“A tecnologia hoje nos permite entender a realidade de cada família e individualizar esses programas. Os recursos vão chegar ainda mais eficientes a quem realmente precisa, para evitar corrupção, gasto indesejável. Proteção social é fundamental, mas ela precisa caminhar junto com educação de qualidade, com geração de oportunidade, com direito de escolha. O objetivo é apoiar quem precisa hoje, mas também criar condições para que essas famílias tenham autonomia no futuro”, disse.

Diferente do que afirmou Huck, estudo “Filhos do Bolsa Família: uma análise da última década do programa”, apresentado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e pela Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que o Bolsa Família tem sido, nos últimos 12 anos, um dos principais responsáveis pela quebra do ciclo de pobreza no Brasil: desde 2014, 70% dos adolescentes que estavam em lares que recebiam o benefício deixaram de depender dele.

Em média, independentemente da idade, 60,68% dos beneficiários de 2014 deixaram o programa até 2025.

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