O alcance de desinformações sobre a 30º Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30) duplica nas redes sociais em relação aos sete últimos meses, conforme levantamento feito pela coalizão internacional Climate Action Against Disinformation e pelo Observatório de Integridade da Informação, com análise nas plataformas X, Instagram, Facebook, YouTube, Reddit e LinkedIn. O evento vai acontecer em Belém, no Pará, em novembro.
Segundo informações do portal Folha de S. Paulo, das cem postagens analisadas, 30 foram detectadas com conteúdo falso e/ou enganoso. No geral, cada postagem com desinformação foi entregue a uma média de 1,2 milhão de usuários em agosto, que é cerca de 149% a mais na comparação com o período de janeiro a julho, em que o número médio foi de 486 mil – o cálculo foi feito com base em curtidas, comentários, compartilhamentos e republicações.
Um vídeo de urubus nos arredores do mercado Ver-O-Peso, publicado no X, foi o de maior alcance, alcançando 2 milhões de pessoas. No entanto, aconteceu em maio de 2023. “Uma mentira repetida muitas vezes pode virar verdade. Esse exemplo é um recorte disso, de trazer uma imagem sobre Belém que vai dizer para as pessoas: ‘é isso que espera vocês quando chegarem por aqui’. É uma visão que traz uma série de preconceitos”, disse a criadora do Observatório de Integridade da Informação e da iniciativa Mentira Tem Preço, Thais Lazzeri, segundo a reportagem.
“A desinformação climática é uma estratégia contra soluções e a própria COP está no centro de decisões importantíssimas que não podem mais ser postergadas. A transição justa, os recursos para adaptação e mitigação e outras soluções também vêm sendo impactadas por desinformação”, continuou ela.
A pesquisadora do Netlab, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ressaltou que esse tipo de conteúdo enganoso tem se tornado habitual. “Além de disputas políticas e econômicas, é algo que afeta a população diretamente”, informou.
Foram identificadas 14 mil menções à COP30 em agosto, associando aos termos “desastre”, “piada”, “catástrofe” e “fracasso”. Enviado especial para a conferência para preservar a integridade da informação, Frederico Assis, demonstra preocupação.
“Por um lado, é uma tendência natural que a desinformação aumente à medida que o evento se aproxima e ganha visibilidade. Por outro lado, isso também evidencia como operam as redes de desinformação, de maneira articulada, com o objetivo de minar os avanços na agenda climática e desacreditar soluções para enfrentar a crise”, afirmou, na reportagem.