O que antes era uma base considerada consolidada começa a dar sinais de fragmentação em Vitória da Conquista. A prefeita Sheila Lemos agora lida com um cenário de pressões políticas, disputas internas e insatisfação popular que colocam sua gestão sob forte tensão. Nos bastidores, o clima é de instabilidade, com dificuldades para manter o alinhamento político e, ao mesmo tempo, responder às demandas da população.
Um dos movimentos que mais chama atenção é a reorganização de forças dentro da própria base aliada. O vereador Diogo Azevedo (PSDB) se afastou politicamente do partido ao lançar sua pré-candidatura a deputado federal, enquanto articulações lideradas por Carlos Muniz Filho (PSDB) reuniram o apoio de seis vereadores, criando um novo eixo de influência no Legislativo municipal.
Outro episódio que ampliou as tensões foi a decisão do vice-prefeito, Dr. Alan (Republicanos), de não acompanhar o grupo político da prefeita e declarar apoio à pré-candidatura da própria esposa, a vereadora Dra. Lara Fernandes (Republicanos). O movimento representa uma ruptura relevante, especialmente após o vice ter sinalizado anteriormente apoio a Wagner Alves, marido da prefeita, que também enfrenta desafios na corrida eleitoral, inclusive relacionados à escolha de um partido com maior cláusula de desempenho.
Esse rearranjo pode impactar diretamente a estratégia da prefeita na disputa proporcional, especialmente na tentativa de concentrar votos em nomes aliados como Elmar Nascimento (UB), Leur Lomanto Jr. (UB), Arthur Maia (UB) e Léo Prates (Republicanos). Paralelamente, a saída de Danilo Kiribamba da estrutura do governo, com adesão ao Avante, partido da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), reforça a percepção de perda de espaço político dentro da gestão.
Ao mesmo tempo, a administração municipal vem sendo alvo de críticas por questões do cotidiano, como problemas de infraestrutura urbana, impactos das chuvas, cobrança do IPTU e a repercussão da morte de Rosânia Silva Borges, que gerou forte comoção na cidade. Esse conjunto de fatores tem ampliado o desgaste da gestão e intensificado o debate político em Vitória da Conquista, sobretudo com a aproximação do período eleitoral.