O primeiro vice-presidente da Coletividade Territorial da Guiana (CTG), Jean-Paul Ferreira, criticou o governo francês por não reconhecer os povos indígenas na Constituição da França, durante encontro com o governador do Amapá, Clécio Luís (Solidariedade), na COP30, em Belém, nesta segunda-feira (10). O dirigente apontou contradição entre o discurso internacional do presidente Emmanuel Macron, que se apresenta como defensor das comunidades indígenas, e a realidade enfrentada por essas populações dentro do território francês.
Ferreira, que também preside o Parque Natural Regional da Guiana e é indígena, afirmou que a ausência de reconhecimento constitucional exclui os povos originários das políticas públicas. “É muito complicado na Guiana porque o Estado francês não reconhece as populações indígenas em sua Constituição. Então, há um povo na França que é muito diferente do Brasil e que não é suficientemente levado em conta nas diferentes políticas públicas”, disse o dirigente.
A declaração ocorreu antes da abertura do Hub Amazônia, no pavilhão do Consórcio da Amazônia Legal. O representante da Guiana Francesa destacou ainda que o território, coberto em 95% por floresta amazônica, busca fortalecer parcerias com estados brasileiros, como o Amapá, para cooperação em bioeconomia e desenvolvimento logístico. Segundo Ferreira, a aproximação regional é essencial diante dos desafios ambientais e econômicos comuns aos territórios amazônicos.
O governador do Amapá, Clécio Luís, ressaltou que a COP30 marca uma nova fase de integração entre os países e regiões que compartilham a Amazônia. “Essa COP tem uma diferença: está sendo discutida e debatida pelos amazônidas, o que faz toda a diferença para a própria Amazônia e para o mundo”, afirmou. A delegação da Guiana Francesa conta com mais de 100 representantes em Belém, reforçando a cooperação bilateral iniciada com o termo assinado entre os governos da CTG e do Amapá.