A juíza Tula Correa de Mello, que aceitou a denúncia do Ministério Público contra o rapper Oruam, filho de Marcinho VP, chefe do Comando Vermelho, teve o marido morto por traficantes da mesma facção no início do ano. Oruam é réu por tentativa de homicídio contra policiais civis.
Oruam foi preso em junho, após uma ação da Polícia Civil em sua casa no Joá, Zona Oeste do Rio. Segundo a denúncia, ele e outros suspeitos atacaram os agentes com pedras durante o cumprimento de um mandado contra um menor de idade. Algumas pedras pesavam quase 5 kg.
O que chama atenção no caso é o histórico da juíza. Em março, ela perdeu o marido, o policial civil João Pedro Marquini, de 38 anos, assassinado por criminosos ligados ao Comando Vermelho. O casal voltava de carro blindado quando foi surpreendido na Grota Funda, Zona Oeste do RJ. Ele estava na frente, foi atingido e morreu. Ela, que dirigia o carro de trás, saiu ilesa, mas presenciou tudo.
“Como suportar ver seu amor ir embora, sem chance de despedida?”, escreveu Tula nas redes sociais ao relembrar a tragédia.
A juíza ainda determinou a prisão preventiva do rapper. Além desse processo, ele responde por tráfico, associação ao tráfico, ameaça, desacato e outros crimes.
Segundo o Ministério Público, Oruam agiu com dolo eventual, assumindo o risco de matar ao impedir a entrada dos policiais na casa. A acusação aponta que ele tentou interferir diretamente no trabalho da PC.