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PM condecorado por Tarcísio acabou preso em operação da PF

Por Cleber Lourenço

O capitão da Polícia Militar de São Paulo Diogo Costa Cangerana recebeu uma condecoração oficial do governo Tarcísio de Freitas em janeiro de 2024. Dez meses depois, acabaria preso pela Polícia Federal na Operação Tai-Pan, investigação que apura um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que, segundo a PF, movimentou cerca de R$ 6 bilhões em cinco anos.

O nome de Cangerana aparece em decreto publicado no Diário Oficial do Estado em 12 de janeiro de 2024 entre os agraciados com a Medalha Valor Militar em grau prata. A homenagem foi concedida a policiais militares em reconhecimento aos “bons, leais e relevantes serviços prestados ao Estado de São Paulo”. Na ocasião, o capitão estava lotado na Casa Militar do Palácio dos Bandeirantes, órgão responsável pela segurança direta do governador.

Segundo as investigações da Polícia Federal, Cangerana integra o grupo investigado na Operação Tai-Pan, deflagrada em novembro de 2024. A apuração aponta a existência de uma estrutura voltada à lavagem de dinheiro e à evasão internacional de recursos, com operações que envolviam empresas de fachada, laranjas, contratos de câmbio, movimentações em criptomoedas e remessas para diversos países.

De acordo com a PF, a organização teria movimentado aproximadamente R$ 6 bilhões nos últimos cinco anos. A investigação também aponta que o grupo mantinha relações com atividades ligadas ao tráfico de drogas, armas e contrabando.

Diogo Costa Cangerana está logo atrás, entre Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes – Foto: Reprodução

Cangerana foi preso durante a Operação Tai-Pan, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2024. Após 21 dias de detenção, ele obteve habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. O capitão foi posteriormente indiciado pela PF no inquérito que apura os crimes financeiros investigados na operação.

Após deixar a prisão, o capitão retornou à Polícia Militar e foi alocado na Diretoria de Logística da corporação para exercer atividades administrativas enquanto prosseguem as investigações.

Documentos da própria PM mostram que Cangerana está nessa posição oficialmente desde março deste ano. Em despacho assinado pela então diretora de Logística da corporação, coronel Glauce Anselmo Cavalli, o capitão foi designado como um dos responsáveis pelo recebimento de serviços contratados para o Complexo Administrativo da Polícia Militar.

Pouco mais de um mês depois da assinatura do documento, Glauce assumiu o comando-geral da Polícia Militar de São Paulo.

Além da investigação conduzida pela Polícia Federal, a Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria da PM também apura fatos relacionados à conduta do oficial. Entre os episódios sob análise está a suspeita de utilização de agendas oficiais para oferta de escoltas privadas a convidados.

Entre 2021 e 2024, período citado pela investigação federal, Cangerana participou de ao menos 25 agendas oficiais dos governos Rodrigo Garcia e Tarcísio de Freitas. Os compromissos incluíram viagens internacionais, reuniões com ministros do Supremo Tribunal Federal e encontros com autoridades do governo federal.

Em nota o governo o de São Paulo afirmo que “a Polícia Militar informa que a Medalha Valor Militar é concedida, com base em critérios objetivos previstos em norma interna da instituição, a todos os policiais que completam determinado tempo de serviço sem registro de punições disciplinares graves. Na ocasião citada, foram 436 policiais condecorados, conforme decreto publicado no Diário Oficial do Estado. Todos os fatos mencionados são objeto de apuração objeto de apuração pela Corregedoria da instituição e demais órgãos de controle interno, que respeita o devido processo legal e o sigilo das investigações. Todas as medidas administrativas cabíveis são adotadas em conformidade com a legislação vigente”.​​​

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