O prefeito de Palmeiras, Wilson José Rocha (Avante), está no centro de denúncias envolvendo suposta grilagem de terras, loteamentos clandestinos e comercialização irregular de terrenos no Vale do Capão, região da Chapada Diamantina. As informações foram reveladas em reportagem exclusiva publicada pelo portal A TARDE que teve acesso a documentos do Ministério Público da Bahia (MP-BA). Segundo a publicação, o MP-BA instaurou procedimentos para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao parcelamento do solo rural em Palmeiras e ao avanço da ocupação desordenada na região. O caso também envolve discussões sobre a ausência de atualização do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) do município.
As denúncias ganharam força após declarações do ex-secretário municipal de Meio Ambiente, Thiago Ramos, que acusou o prefeito de comercializar terrenos por meio de uma imobiliária ligada à sua família, sem cumprir exigências ambientais e fundiárias. Em entrevista ao site A TARDE, Thiago afirmou que áreas rurais estariam sendo divididas em lotes menores do que o permitido pela legislação agrária, sem autorização dos órgãos competentes e também declarou que os empreendimentos não possuiriam licenciamento ambiental.
De acordo com os documentos obtidos pelo jornal, o Ministério Público promoveu audiências públicas em agosto de 2025 para discutir os impactos ambientais e urbanísticos provocados por parcelamentos irregulares no Vale do Capão. Em um dos trechos citados pela reportagem, o MP destaca que a comercialização de lotes sem registro imobiliário pode caracterizar loteamento clandestino. Ainda conforme o material revelado, o MP-BA firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Prefeitura de Palmeiras para elaboração de um novo plano diretor, reconhecendo que a atual legislação urbanística do município estaria defasada e insuficiente para controlar o crescimento urbano da cidade.
Ao A TARDE, o prefeito Wilson Rocha negou as irregularidades. O gestor confirmou possuir empreendimentos imobiliários em Palmeiras, mas afirmou que as atividades estão suspensas e em processo de regularização junto aos órgãos competentes. Segundo ele, os negócios possuem caráter privado e não têm relação com a administração municipal e que também, a regularização fundiária é um problema histórico da região da Chapada Diamantina e afirmou estar à disposição para colaborar com eventuais investigações.