A Azul Linhas Aéreas anunciou a redução da oferta de voos em seis cidades do Nordeste a partir deste mês de junho, como consequência direta do pedido de recuperação judicial feito nos Estados Unidos. A medida impacta a malha aérea da região, principalmente no hub da companhia em Recife.
Em reportagem para o Diário do Nordeste, o colunista Igor Pires relata que os destinos afetados são Natal (RN), Fernando de Noronha (PE), João Pessoa (PB), Campina Grande (PB), Aracaju (SE) e a própria capital pernambucana. Em junho, a companhia deverá operar 138 voos a menos em comparação com maio, conforme dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A redução representa uma queda expressiva nas partidas saindo de Recife para esses aeroportos: de 414 para 276 voos mensais.
Na Bahia, onde a empresa opera nas cidades de Guanambi, Barreiras, Vitória da Conquista, Lençóis, Salvador, Ilhéus e Porto Seguro, ainda não há previsão para cortes.
Igor também destaca que a diminuição da oferta reflete na capacidade de assentos, com aproximadamente 9.660 lugares a menos por mês, considerando que todos os voos são realizados em aeronaves turboélice ATR 72-600, com capacidade para 70 passageiros. Em alguns trechos, como Recife-Natal, os preços das passagens chegaram a valores elevados, atingindo até R$ 4 mil apenas no trecho de ida.
O Nordeste deve ser a região mais afetada pela crise da Azul, que enfrenta dificuldades financeiras agravadas. O plano de recuperação judicial prevê a redução de 35% da frota, atualmente composta por cerca de 180 aeronaves. A companhia já havia cortado voos no primeiro trimestre em diversas cidades da região devido à falta de aviões, e a expectativa é de novas reduções.
A Azul projeta que, com o plano de reestruturação, poderá reduzir em até US$ 2 bilhões suas dívidas e captar até US$ 950 milhões em novos investimentos ao final do processo. A empresa afirma que continuará operando normalmente, mantendo pagamentos e benefícios aos tripulantes.
No entanto, a devolução de aeronaves — especialmente dos modelos ATR e widebody, usados em voos regionais e internacionais — poderá ampliar o impacto negativo sobre a malha aérea, sobretudo no Nordeste, onde a companhia tem forte atuação e a população já vinha sentindo os efeitos da redução de voos em cidades menores.