O relatório final da Polícia Federal voltou a colocar aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no centro das atenções. Entre os nomes citados, aparece o do deputado federal Capitão Alden (PL-BA), que teria recorrido ao ex-presidente para reforçar um ato realizado em 3 de outubro, na Barra, em Salvador, contra o presidente Lula (PT) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com a PF, Alden pediu a Bolsonaro que enviasse um áudio para ser reproduzido em carros de som durante a manifestação. Bolsonaro, no entanto, lembrou das restrições impostas pelo STF, que o impediam de se manifestar politicamente, mas sugeriu uma alternativa para contornar a situação.
“Alden, se eu falar qualquer coisa, dá problema. Você pode ligar para mim na imagem falando: ‘Estou aqui com a imagem do Bolsonaro, está mandando abraço a todos vocês e parabenizando’. Aí você pode. Você fala. Eu não posso falar, não. Valeu”, disse o ex-presidente, em mensagem registrada pela PF.

Pouco depois, o deputado ligou para Bolsonaro, que gravou um vídeo curto cumprimentando os apoiadores na Bahia e explicando que não poderia se pronunciar. O material foi publicado por Alden em sua conta no X (antigo Twitter).
Para os investigadores, a atitude reforça o “modus operandi de utilização de terceiros para burlar a medida cautelar”, estratégia que, segundo o relatório, teria sido recorrente por parte do ex-presidente.