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Decisão de Cafu Barreto desafia o velho paradigma da política baiana

Decisão de Cafu Barreto expõe fissuras na base governista e desafia o velho paradigma da política baiana

A decisão do deputado estadual Cafu Barreto de romper com o governo Jerônimo Rodrigues e declarar apoio ao grupo político de ACM Neto mexeu profundamente com o tabuleiro da política baiana. Mais do que uma simples mudança de lado, o gesto do parlamentar simboliza um movimento raro na política estadual: a quebra do paradigma de que lideranças regionais devem se submeter, de maneira automática, à vontade dos grandes caciques que decidem tudo das capitais, muitas vezes de dentro de gabinetes climatizados, distantes da realidade do interior. Em entrevista a um site de Salvador, o senador Otto Alencar afirmou não ter gostado da decisão, porque o deputado não “pediu sua permissão”.

A postura de Cafu exige, antes de tudo, coragem. Em um cenário onde pressões, barganhas e alinhamentos impostos ainda prevalecem, o deputado optou por seguir o que avaliou como melhor para sua trajetória, para sua região e para o projeto político que acredita. Esse tipo de movimento, vindo de um dos nomes mais influentes do interior, ecoa entre prefeitos, vereadores e lideranças que, há algum tempo, acumulam insatisfações, mas preferem o silêncio para evitar confrontos diretos.

O impacto é ainda maior porque a decisão acontece em um momento de desgaste do governo Jerônimo Rodrigues. A avaliação negativa da gestão não é mais exclusiva da oposição; prefeitos e deputados aliados expressam desconforto nos bastidores, especialmente diante da dificuldade de entregar resultados concretos em seus territórios.

Na região de Irecê, esse sentimento é ainda mais evidente. Ao longo dos três primeiros anos de governo, não há uma obra estruturante iniciada e concluída por Jerônimo, o que gerou frustração entre aliados que esperavam investimentos, reconhecimento e fortalecimento político. Em vez disso, o governo, em diversas ocasiões, priorizou figuras que sempre estiveram na oposição ao PT, alimentando um clima de inconformismo e sensação de abandono.

A migração de Cafu Barreto, portanto, não deve ser lida como um fato isolado. É possível que o movimento desencadeie uma debandada silenciosa, especialmente quando se aproxima o ciclo eleitoral de 2026. Deputados, prefeitos e lideranças que hoje evitam se posicionar podem encontrar no gesto de Cafu o incentivo necessário para repensar suas alianças.

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