Por Cleber Lourenço
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, gravou conteúdo com um investigado por violência política com arma. O vídeo foi registrado nesta semana, durante agenda do governador em Franco da Rocha, na Grande São Paulo, e aparece nas redes sociais de Felipe Antônio de Lima Silva, conhecido como Felipe Lima, que é alvo de investigação por ameaçar uma candidata à prefeitura em 2024.
Embora o governador seja a principal figura da gravação, o material não foi publicado em seus perfis oficiais. A divulgação ocorreu apenas nas redes do próprio Felipe Lima, que compartilhou trechos do encontro, incluindo momentos informais, como uma partida de sinuca ao lado de Tarcísio.
No conteúdo publicado, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece jogando sinuca e interagindo diretamente com Felipe Lima. Em um dos trechos, os dois se abraçam e conversam de forma descontraída. Nas imagens, Tarcísio comenta sobre a entrega de piscinões em Franco da Rocha, enquanto Lima o acompanha de perto, em tom de proximidade e informalidade.
O histórico envolvendo Felipe Lima não é lateral. Em julho de 2024, a então candidata à prefeitura de Caieiras, Josie Cristine Aranha Dártora (PV), registrou boletim de ocorrência após a circulação de um vídeo em que ele aparece empunhando uma arma de fogo e fazendo ameaças diretas contra a sua candidatura.
De acordo com o registro policial, Felipe Lima afirmou que iria “defender Caieiras na bala” e, ao lado de outro envolvido, declarou que a candidata seria prefeita “só se for no cemitério”. O caso foi enquadrado como ameaça, incitação ao crime e também como violência política contra a mulher no contexto eleitoral.
O boletim descreve ainda que o vídeo foi divulgado pela internet e que, segundo a vítima, havia um contexto de perseguição política e intimidação ligada à sua atuação. Em um dos trechos, o investigado também incita a população ao afirmar que a cidade deveria ser defendida “de qualquer jeito”.
A investigação avançou e passou a ser acompanhada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. Posteriormente, o Superior Tribunal de Justiça analisou um conflito de competência sobre o caso e fixou entendimento de que os fatos se enquadram como violência política de gênero, devendo ser julgados pela Justiça Eleitoral.
Na decisão, o STJ apontou que as ameaças ocorreram no contexto da campanha eleitoral, tiveram como alvo uma candidata mulher e possuíam o objetivo de intimidar e dificultar sua participação política.
O caso segue em tramitação na Justiça Eleitoral de Franco da Rocha, após remessa determinada no âmbito do processo. Não há registro de arquivamento até o momento.