bannerfull

Desembargadores e juízes afastados movimentaram R$ 105 milhões

Magistrados do TJBA são alvo de operação da Polícia Federal. Confira detalhes do Faroeste baiano!

20 de novembro - 2019 às 10h51
Desembargadores-e-juzes-afastados-movimentaram-R-105-milhes

Correio 24 horas - satélite

Por Jairo Costa Júnior 

Os quatro desembargadores e os dois juízes afastados ontem do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ) por suspeitas de envolvimento no esquema de venda de sentenças investigado pela Operação Faroeste movimentaram, desde 1º de outubro de 2013, cerca de R$ 105 milhões em suas contas bancárias. Os valores constam na decisão em que o ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autoriza a ação contra a cúpula do TJ e foram baseados em relatório elaborado pela Polícia Federal a partir da quebra dos sigilos bancários dos alvos da Faroeste.

Alta conta

De acordo com a investigação, a maior soma é atribuída ao presidente do TJ, Gesivaldo Britto, que movimentou R$ 24,4 milhões no período, sendo quase R$ 2,3 milhões sem origem ou destino identificados. Os depósitos nas contas de Britto totalizaram R$ 12,1 milhões, mas apenas R$ 2,25 milhões foram originados em recebimento de salários. O que, para o Ministério Público Federal (MPF), indica ganhos incompatíveis com sua renda de desembargador.

Além do normal

As quebras de sigilo revelaram ainda movimentações atípicas de outros três desembargadores afastados. Nos últimos seis anos, entraram e saíram das contas bancárias de José Olegário Caldas, Maria do Socorro Barreto Santiago e Maria da Graça Osório Leal R$ 22,36 milhões, R$ 17,49 milhões e R$ 13,37 milhões, respectivamente. Já os juízes Sérgio Humberto Sampaio e Marivalda Almeida Moutinho movimentaram R$ 14,16 milhões e R$ 12,53 milhões. Os cinco magistrados também operaram altas somas sem origem ou destino identificados e créditos em valores muito acima do total de salários pagos a eles no período.

Homem da caixa-preta

Preso ontem com a mulher no hotel Golden Tulip, em Brasília, o empresário Adailton Maturino, principal alvo da Faroeste, virou motivo de tensão para nomes influentes da política e do Judiciário baianos. Segundo apurou a Satélite, Maturino é tido por investigadores da PF como fonte valiosa de informações capazes de comprometer magistrados e autoridades públicas fora da lista da operação. Parte deles pegava carona em seu avião particular e frequentava espaços reservados por Maturino em dois restaurantes conhecidos da capital, com todas as despesas bancadas pelo anfitrião.

Por tabela

Pistas coletadas ao longo das investigações sobre o TJ implicaram o desembargador José Olegário Caldas em suposta venda de sentença no âmbito de outra operação, a Adsumus, deflagrada pelo Ministério Público do Estado contra um esquema de corrupção na prefeitura de Santo Amaro. Diálogos mantidos no WhatsApp entre um empreiteiro denunciado na Adsumus, advogados que o representam e um suspeito de servir como interlocutor de Caldas mostram indícios de negociação de sentença favorável ao réu no valor de R$ 100 mil. 

Ponto de bala

Na Procuradoria-Geral da República em Brasília, já há uma equipe preparada para atuar em novas etapas da Faroeste. A turma espera apenas o material apreendido ontem e os depoimentos dos suspeitos.

Comentários

netools comunicação digital
Sertão Baiano - Todos os direitos reservados © - 2019