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Família de motorista de Uber morto receberá seguro de R$ 100 mil

Ele foi executado no Subúrbio de Salvador. Empresa lamenta violência urbana. Saiba mais!

09 de janeiro - 2018 às 12h35
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Milena Teixeira / Correio

A família do motorista de Uber José Henrique Pedreira Alves, 24 anos, morto a tiros na noite de sábado (6), no bairro de Ilha Amarela, Subúrbio Ferroviário de Salvador, terá direito de receber um seguro de R$ 100 mil. O crime aconteceu depois que Henrique saiu da casa da sogra no bairro de Itapuã para ir trabalhar. O corpo de José Henrique foi sepultado nesta segunda (8) em Senhor do Bonfim, no interior baiano. Ao CORREIO, a Uber disse que “o motorista estava em corrida e, por isso, receberá toda assistência. Inclusive a família tem direito ao seguro APP [Acidentes Pessoais de Passageiros].” A empresa também lamentou a morte de José: "Nossos sentimentos de mais profundo pesar vão para a família de José Henrique Pereira Alves. A Uber lamenta profundamente que motoristas parceiros sejam alvo de violência urbana, uma vez que vão às ruas todos os dias nos ajudar a construir o futuro da mobilidade em nossas cidades e gerar renda para si próprios e suas famílias", diz nota enviada pela empresa.

Seguro da Uber

Os motoristas da Uber e seus passageiros são cobertos pelo seguro denominado APP. Ele cobre despesas médicas de até R$ 5 mill por ocupante do veículo em caso de acidente e oferece R$ 100 mil em caso de invalidez permanente total ou parcial ou em situações em que há óbito. Para os motoristas, a cobertura começa no momento em que ele aceita um pedido de viagem e está a caminho para buscar o seu passageiro. Já para seus usuários, a cobertura tem início no momento em que ele entra no carro dos motoristas parceiros. Para ter direito ao seguro, os familiares precisam entrar em contato com a Uber atráves dos canais de atendimento. A partir do contato, o caso é analisado e encaminhado à seguradora.

Investigação 

A morte de José Henrique está sendo tratada como latrocínio - roubo seguido de morte -, segundo informação da assessoria de comunicação da Polícia Civil. De acordo com a corporação, duas testemunhas que já foram escutadas pela delegada Carla Ramos, da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR), informaram que o celular da vítima não foi encontrado no carro e provavelmente foi roubado. Parentes do motorista já tinham recomendado à vítima que abandonasse a profissão devido à violência das ruas. “A mãe de Henrique já tinha pedido para ele largar a profissão por causa da violência. Mas não teve sucesso”, contou Morgana Pedreira, prima de José Henrique, que esteve neste domingo (7) no Instituto Médico Legal (IML). 

Crime

Por volta das 11h de sábado (6), o motorista saiu da casa da sogra, Magali Castro, em Itapuã, para trabalhar com a promessa de que estaria de volta antes das 20h. Parentes e amigos estranharam a demora no retorno do jovem, que tinha combinado de ir a uma festa de 15 anos com parentes, amigos e a namorada. “Íamos juntos para a festa. Mandei uma mensagem para ele às 19h55 dizendo: Não esqueça de mim, não. Ele ficou online às 20h01, visualizou, mas não respondeu”, disse Deivisson Carmo, 25 anos, amigo da vítima. “Resolvi ir ao shopping junto com a namorada dele para ver se a gente o encontrava, mas nada de achar”, explicou. Após mais de 14 horas da última vez que foi visto, a família soube do crime. A polícia ainda não divulgou se foi um latrocínio ou homicídio, mas o carro não foi levado. O assassinato ocorreu por volta das 20h15. Familiares e amigos souberam da fatalidade através da empresa de aluguel de carro que disponibilizava o veículo – um Prisma branco – usado pela vítima para fazer as corridas.

“Primeiramente, fomos informados pela empresa que o carro estava parado nas mediações do Rio Sena, Plataforma, no Subúrbio de Salvador. Então achamos que ele tinha pegado outra corrida. Depois, por causa da demora, resolvemos ir ao shopping, que era o local marcado. Procuramos por todo lugar, mas nada de encontrar Henrique. Voltamos para casa, nos arrumamos para a festa e ligamos novamente. Neste momento, fomos avisados de que o carro ainda continuava parado e a empresa solicitou uma equipe de segurança para ir ao local. Seguimos para o aniversário, só que antes de entrar na festa, ligamos novamente e aí veio a notícia de que ele tinha dado entrada no Hospital do Subúrbio e que os parentes deveriam ir para lá”, disse Deivisson Carmo, amigo da vítima.

Policiais da 14ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM/Lobato) foram chamados ao local e chegaram a prestar socorro à vítima, levada ao Hospital do Subúrbio. “Saímos da festa era mais de meia-noite e chegamos ao hospital já de madrugada. Achamos que ele estaria vivo, mas infelizmente quando chegamos lá descobrimos o falecimento”, lamenta Deivisson. Ainda de acordo com ele, José Henrique não foi identificado ao chegar no hospital. “Deram entrada no corpo de Henrique como indigente porque não encontraram os documentos. Uma parente fez o reconhecimento, porque a mãe não teve condições”, disse. A vítima tinha um cavanhaque e uma tatuagem com o nome da mãe no braço, o que ajudou na identificação. Os familiares lamentaram a morte: “Ele era um rapaz de coração muito bom, inocente, não via maldade nas pessoas”, lembrou a prima, Morgana Pedreira.

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