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Garis inventores criam bomba d’água e máquina de beneficiamento da terra

Moradores de Pedra Lisa, Zé e Brandão são amigos de infância e dividem o sonho da formação em Engenharia. Vale a pena conferir!

02 de abril - 2019 às 12h13
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Fotos e sugestão de pauta: Márcio Carvalho / Assessor de Comunicação

Daniel Pinto

Este ano, milhares de pessoas ao redor do mundo se comoveram com o filme “O menino que descobriu o vento”, produção Netflix inspirada no livro homônimo de Bryan Mealer sobre a história real de William Kamkwamba - um garoto pobre, nascido no Malauí, que mudou a vida da sua comunidade graças à inteligência, perspicácia e o amor pelos estudos. 

Por isso, reservadas as devidas questões culturais e geográficas, não há como não enxergar semelhanças com a história de dois amigos inventores do Povoado de Pedra Lisa, em Ibititá (BA). José Augusto da Silva, o Zé, 38 anos; e João Luiz de Araújo, mais conhecido como Brandão, 34, são amigos desde a infância e coincidentemente trabalham como garis no serviço de limpeza pública do município. “Desde pequenos nós desmontamos e montamos as coisas, mexemos em motores e equipamentos e temos a curiosidade de saber como tudo funciona”, afirmou Zé, em entrevista ao Sertão Baiano. 

Como a vida não é fácil (no Malauí e nem no Brasil), os dois, que também são cunhados, complementam a renda e garantem o sustento da família na lida com a terra e com uma pequena criação de animais. “No dia a dia, as dificuldades vão surgindo e a gente tem sempre uma ideia para facilitar o nosso trabalho”, revela Brandão. Após contraírem um empréstimo para furar um poço na zona rural, os garis inventores se viram diante de um novo desafio: como extrair a água para a superfície sem mais dinheiro para investir?... Foi aí que uma CBX 1987 completou o quebra-cabeça. Com a moto velha - que ainda é usada como principal meio de transporte pelos amigos - eles criaram uma bomba capaz de puxar 2.500 litros de água por hora com apenas um litro de gasolina. O projeto ainda inclui um sistema auxiliar com uma manivela, já que o combustível está pelos olhos da cara. 
 


A partir de outra moto velha e com muita engenhosidade, a dupla também desenvolveu uma máquina de beneficiamento da terra, que pode ser usada para arar plantações e limpar feijão, dentre outras aplicações. Como o serviço era feito com tração animal, Brandão resolveu batizar a invenção de motojega. “O nome ficou bom, não foi”, brinca. Se você chegou até aqui, deve se fazer as perguntas: do que mais esses caras seriam capazes se tivessem condições de estudar? Até onde iriam se tivessem acesso à equipamentos, assessoria técnica e novas tecnologias? “A gente construía um foguete para sair voando por aí”, garantiu Zé, durante bate-papo descontraído com a reportagem do Sertão Baiano. Alguém duvida? 
 


Zé e Brandão, os garis inventores, dividem o sonho da formação superior em Engenharia... Mas, como seguir com os estudos e atender as necessidades básicas da família?! Quem sabe um dia, quando o acesso à educação não for um fator de distinção entre classes sociais. Quem sabe...

Viva o povo brasileiro!

Salve, Ibititá, terra querida!  

 


 







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