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Lídice cobra CPI da Violência contra a juventude negra

"Em três dias de greve da PM na Bahia, o índice de homicídios aumentou enormemente, mas não houve uma mudança no perfil das vítimas”, argumenta senadora.

24 de abril - 2014 às 09h06
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Foto: Divulgação

"Não há dúvida que o Brasil não vem levando esse debate da segurança pública com a seriedade que as populações mais pobres necessitam para sair desta triste realidade. O Senado tem a oportunidade de participar com uma ação de protagonismo no debate da violência urbana no Brasil". Assim a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) apelou ao Senado pela instalação imediata da CPI para apurar as mortes violentas de jovens negros, cuja composição depende apenas das indicações dos líderes das bancadas. Desde o dia 25 de outubro passado, Lídice já havia coletado 30 das 27 assinaturas necessária para a criação CPI. De acordo com a Assessoria de Comunicação da congressista, na mesma data, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), assumiu em plenário o compromisso de instalar o colegiado de inquérito.

"Em três dias de greve da PM na Bahia, o índice de homicídios aumentou enormemente, mas não houve uma mudança no perfil das vítimas. Como ocorre em todos os demais dias do ano, as vítimas foram jovens de 15 a 34 anos, do sexo masculino, negros e moradores da periferia", justificou Lídice. A senadora lembrou que os índices não são diferentes em âmbito nacional. Segundo dados do Mapa da Violência, entre 2002 e 2010, morreram assassinados no Brasil 272.422 cidadãos negros, média de 30.269 por ano. Só em 2010, foram 34.983 mortos. O mesmo estudo, ao analisar o conjunto da população, constata que também entre 2002 e 2010 as taxas de homicídios de brancos caíram de 20,6 para 15,5 (queda de 24,8%), enquanto a de negros cresceu de 34,1 para 36, um aumento de 5,6%. Se em 2002 morriam assassinados, proporcionalmente, 65,4% mais negros do que brancos, no ano de 2010 o índice saltou para 132,3%.

"A CPI abre a possibilidade de discutirmos a desmilitarização das policias, de unificação das policiais, de redefinição do papel dos agentes policiais, de pensarmos uma polícia cidadã e não ela em própria tendo a sua ação como um motivador da geração de mais e mais violência", acrescentou.

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